maio 2025 - Fusão

quinta-feira, 29 de maio de 2025

No país onde as crianças se esquecem de brincar

maio 29, 2025 0
No país onde as crianças se esquecem de brincar

 


Vivemos num país onde as crianças deixam de ser crianças demasiado cedo. Não pela urgência de crescer, mas pela pressa do mundo em roubar-lhes o tempo. Substituímos parques por ecrãs, a macaca pelo TikTok e o silêncio pela euforia deste mundo tão barulhento. Com tanto ruído, esquecemo-nos de perguntar: que infância estamos a proteger?


Deixámos de fomentar o crescimento intelectual e a procura pela identidade e pelo pensamento crítico. Durante tanto tempo, queixamo-nos de uma “idade dos porquês”, e cada vez mais a vemos passar por entre os dedos. Mais uma vez, perdemos para o progresso. Mas progresso para quem?


Para que serve o uso da tecnologia nesta faixa etária, quando esta silencia tantas gargalhadas? Quando normaliza a solidão? Estamos continuamente a criar uma geração onde os dedos deslizam antes de saberem escrever, onde a criatividade se mede em likes e as opiniões são copiadas daquelas que ouvimos alguém partilhar nas demais redes sociais. Criámos relógios suíços, num país que a arte sempre tentou acalmar, e agora, o silêncio – esse lugar onde nascem as ideias, os mundos e os sonhos – tornou-se intolerável.


Esta não é apenas uma consequência inevitável dos nossos tempos. É também uma escolha política e, como todas as escolhas políticas, tem vítimas. Quando os governos abandonam as iniciativas públicas de apoio à infância, quando não há investimento em educação artística, espaços verdes, apoio psicológico e tempo de qualidade, o que sobra é o vazio preenchido por ecrãs. A infância informatizada é mais do que uma questão de costumes — é um problema estrutural: é o reflexo de um sistema que esqueceu que brincar também é (e deve continuar a ser) um direito.


No aproximar de mais um Dia da Criança, precisamos de mais do que apenas oferecer brinquedos: temos de resgatar o tempo. O tempo de estar, ouvir, tocar, brincar e ser. Abraçar a nossa criança interior, procurá-la e preservá-la como ato de resistência. Para lembrar à sociedade que cada criança perdida num algoritmo é uma promessa adormecida. E para nos lembrarmos a nós próprios, que temos tempo e que os sonhos são alcançáveis. Lembremo-nos de relativizar a vida, mas ao mesmo tempo de encontrarmos prazer nas coisas pequenas. Lembremo-nos de ouvir com o coração de uma criança e viver com curiosidade, que dela é tão característica. 


“A criança que não brinca não é criança,

mas o homem que não brinca perdeu para sempre

a criança que vivia nele”                                                                       

- Pablo Neruda


O que está em jogo não é apenas o futuro das crianças. É o futuro da nossa humanidade. Uma humanidade que não protege a infância é aquela que se condena ao cinismo, à pressa e ao esquecimento. Se continuarmos a aceitar que o ruído substitua o encanto, que o digital substitua a curiosidade e que o imediatismo substitua os risos, então preparemo-nos para um mundo onde nenhum adulto seja capaz de imaginar e criar. 


Eu não quero viver no país onde nos esquecemos de brincar.


Bárbara Azevedo


terça-feira, 20 de maio de 2025

Maio de 68: mais que uma revolução

maio 20, 2025 0
Maio de 68: mais que uma revolução

 



    Corria o mês de maio de 1968 em França. O país estava transformado por uma cascata de eventos, desde protestos em massa a guerrilhas de rua. Não era uma revolução política como as suas precedentes; era uma revolução cultural, que tinha partido do ventre da nova sociedade, na sua vontade instintiva de mudar o mundo que se erguia à sua frente - os estudantes.


    Foi preciso pouco - mas soube a muito - para que o país parasse e escutasse, como se tivesse havido um entendimento universal de que aquilo não ia passar em branco; de que era preciso respirar fundo. Com o intelecto, a alma e a paixão que só há num estudante, assim se fez a revolução.


    O movimento tocou todos os pontos cruciais: dos colarinhos azuis aos professores catedráticos, passando pelas mulheres, imigrantes e comunidade queer, todos tiveram a oportunidade de revogar os seus direitos. Pela primeira vez, aqueles a quem faltava voz tinham o seu próprio púlpito - e assim, a França teve o seu mote de entrada na sociedade moderna.


    Por todo o país, as universidades fecharam, ocupadas pelos estudantes e, muitas vezes, pelos seus professores. Nas maiores cidades, os trabalhadores juntaram-se aos intelectuais na rua para se fazer ouvir. Entre barricadas e confrontos com a polícia, permaneceram inabaláveis. As noites eram intensas, com protestos violentos, carros em chamas e montras de lojas partidas, e os intervenientes eram frequentemente hospitalizados. Quando raiava o dia, o caos dava lugar à calmaria, e a população juntava-se para debater os eventos mais recentes. Havia no ar uma liberdade inomidada: sentia-se; estava em cada gesto e em cada palavra proferida.


    Ao mesmo tempo, nas fábricas, os funcionários acampavam no exterior, recusando-se a arredar pé. Por volta da terceira semana de maio, cerca de 11 milhões de franceses estavam em greve. Não havia gasolina; os comboios não andavam, nem o metro de Paris. 


    A certa altura, o presidente Charles de Gaulle cedeu. Era o dia 27 de maio de 1968. O governo e os sindicatos estabeleceram um acordo, garantindo levantar o peso da hierarquia e formalidade excessivas, tão impressas nas raízes da sua cultura. E o país nunca mais foi o mesmo.  


    O movimento estudantil de 1968 e os anos que se seguiram transcenderam a fronteira francesa, atingindo diversos grupos, nomeadamente na Europa. Em Portugal, erigiram as bases para muitas das conquistas sociais do pós-25 de abril, durante o período de "normalização" da vida portuguesa. 


    Hoje, a herança de maio ainda é um debate aceso. Uns afirmam que se perdeu no tempo, que se apagou da memória do povo. Há quem ouse dizer que os franceses tiraram daí o seu espírito revolucionário exacerbado, - infantil, até - que os levou a uma espiral de descredibilização. O “Pedro e o Lobo” da Europa Ocidental. Mas é com os seus erros ingénuos que hoje aprendemos a revoltarmo-nos com pés e cabeça.


    Também há quem defenda que não há herança, porque a revolução nunca acabou. Deixou apenas de ser tão ruidosa, tão opulenta. Mas permanece entre nós, vai divergindo pelos recantos da sociedade. À espera de quem a convoque para a batalha.


    No fim do dia, antes de qualquer outra, fica a certeza de que o poder de um universitário vai muito para além do que se pode imaginar. Num meio aberto a tantas oportunidades, há pouca gente com o interesse social e político de um estudante. Temos uma necessidade quase primitiva de agir, de pertencer e de ter significado. Temos uma vontade de mudar e de evoluir dentro de nós, que fica retida aqui, nestes anos de universidade. E é nela que devemos investir. 


Carolina Troia


Referências:

  1. Universidade de Évora, Maio de ’68 e os Portugueses – Colóquio. 2018 https://plataforma9.com/congressos/maio-de-68-e-os-portugueses-coloquio-na-universidade-de-evora.htm 

  2. Rubin, A J, May 1968: A Month of Revolution Pushed France Into the Modern World. The New York Times. 2018. https://www.nytimes.com/2018/05/05/world/europe/france-may-1968-revolution.html 

  3. Beardsley, E, In France, The Protests Of May 1968 Reverberate Today — And Still Divide The French. NPR. 2018. https://www.npr.org/sections/parallels/2018/05/29/613671633/in-france-the-protests-of-may-1968-reverberate-today-and-still-divide-the-french 

  4. Poirier, A, May ’68: What Legacy?. The Paris Review. 2018 https://www.theparisreview.org/blog/2018/05/01/may-68-what-legacy/

  5. Ferreira, M I, A participação cívica e política dos estudantes do Ensino Superior - Influência da experiência académica e da memória dos movimentos estudantis. Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 2021. https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/139124/3/524701.pdf 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Devemos Silenciar as Sondagens Antes das Eleições?

maio 12, 2025 0
Devemos Silenciar as Sondagens Antes das Eleições?


 

    Há eleições... e há sondagens. A cada variação, os candidatos tremem ou transpiram. As sondagens não só fotografam o momento — criam-no. São notícia, são narrativa, são profecia. Às vezes, autorrealizável.

    Em Portugal, durante as últimas eleições legislativas, assistimos a um fenómeno recorrente: mais do que os programas eleitorais, são os gráficos de barras que dominam o espaço público. Televisões, jornais, redes sociais — tudo vive pendurado nos números da última sondagem. Quem sobe um ponto é “o novo favorito”. Quem desce dois “está em queda livre”. Um país inteiro a oscilar ao ritmo das margens de erro.

    É por isso que a pergunta se impõe: devemos proibir a divulgação de sondagens nos dias que antecedem as eleições? A lei portuguesa já impõe um período de silêncio de 24 horas — o chamado “período de reflexão”. Mas é um intervalo meramente simbólico. A essa altura, o estrago (ou a manipulação) já está feito.

    Vários países vão mais longe. Em França, é proibido divulgar sondagens nas 48 horas anteriores à abertura das urnas. Na Itália, o blackout estende-se por 15 dias antes das eleições. O argumento central é simples: as sondagens influenciam o voto. Logo, divulgá-las demasiado próximo da eleição desequilibra o jogo democrático.

    Essa influência pode ter várias formas. A mais discutida é o efeito de arrastamento (bandwagon effect): os eleitores tendem a apoiar quem está na frente, como se votar no provável vencedor desse uma sensação de segurança, de “estar do lado certo da História”. Há também o efeito de desmobilização: se o partido do eleitor está com vantagem confortável, ele pode simplesmente não se dar ao trabalho de sair de casa. Se, ao contrário, o partido do eleitor parecer não ter hipótese, o resultado poderá culminar no mesmo — desmotivação, apatia, abstenção.

    Claro que proibir a divulgação de sondagens não resolve tudo. Num mundo digital, os dados circulam informalmente: por mensagem, por redes sociais, por leaks oportunos. A proibição pode até alimentar a teoria da conspiração. Torna-se mais fácil dizer “eles não querem que saibas” — e reforça-se a sensação de manipulação, precisamente o que se queria evitar.

    Além disso, não há sondagens inocentes. Nem todas têm o mesmo rigor. Algumas são encomendadas por partidos ou entidades com interesse direto nos resultados. Outras aplicam metodologias pouco transparentes. E, apesar de tudo, são publicadas lado a lado como se tivessem o mesmo valor. Quem regula isso? Em teoria, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Na prática, a regulação é frouxa e quase nunca chega a tempo. E então? Proibir ou não proibir?

    Talvez estejamos a fazer a pergunta errada. Talvez o problema não esteja nas sondagens em si, mas na forma como as tratamos. Se o eleitor vota com base numa projeção, isso não é culpa da sondagem — é culpa de um ambiente político em que as ideias contam menos que os números. De uma comunicação social que prefere a adrenalina do “quem ganha” ao debate sobre “quem propõe o quê”. E de partidos que há muito desistiram de mobilizar com visão — preferem surfar tendências.

    Proibir as sondagens seria, no fundo, tentar tapar o sol com a peneira. A verdadeira discussão devia ser outra: como é que educamos os cidadãos para ler sondagens com espírito crítico? Como explicamos que há margens de erro? Que uma diferença de dois pontos pode ser irrelevante? Que os estudos de opinião não são oráculos — e muito menos planos de governo?

    Enquanto isso não acontecer, as sondagens continuarão a ser vistas como uma bússola política. Não para descobrir para onde vamos — mas para decidir com quem vale a pena ir. E isso, convenhamos, é um critério pobre para escolher o futuro.

Alexandra Lourenço 

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Comunicação na Saúde: A importância dos pacientes simulados

maio 09, 2025 0
Comunicação na Saúde: A importância dos pacientes simulados


    Todos nós conhecemos o famoso arquétipo da animosidade entre cães e gatos, mas também já vimos vídeos que contradizem essa ideia. Da mesma forma, a comunicação humana é frequentemente vista como uma habilidade inata, quando, na realidade, é uma competência que se desenvolve e aprimora com prática e reflexão. Esse é o ponto de partida do curso “Uso de Pacientes Simulados na Formação de Profissionais de Saúde”, realizado entre 1 e 15 de abril de 2025 na Universidade da Beira Interior.

    O curso, lecionado por Paulo Vitória, Sérgio Novo, Marta Duarte e Juliana Sá, tem como objetivo ensinar técnicas de encenação e comunicação para representar o papel de paciente simulado – uma metodologia já consolidada noutras escolas médicas, como as de Braga e Aveiro.

    Os pacientes simulados permitem aos estudantes de saúde vivenciar situações reais sem riscos para os pacientes, e praticar habilidades como a tomada de decisão, a empatia e a comunicação clínica. Além disso, o feedback dos pacientes simulados – uma componente crucial que não se obtém com manequins – é crucial para avaliar e melhorar a comunicação dos futuros médicos.

    Esta foi a segunda edição do curso, que surgiu de uma linha de formação em comunicação clínica na Faculdade de Medicina da UBI. A primeira edição, em 2024, funcionou como piloto, mas a versão deste ano trouxe novidades, nomeadamente:

  • Menos teoria, mais prática;
  • Grupo de participantes diversificado, incluindo estudantes da área de saúde e de outras áreas e pessoas externas à universidade;
  • Maior integração de técnicas teatrais para trabalhar a expressão emocional.

    Para além disso, esta segunda edição contou com o financiamento do Plano de Resiliência e Recuperação (PRR), e com incentivos financeiros para os participantes.

    Para compreender melhor esta iniciativa, a Revista Fusão entrevistou os dois principais responsáveis pelo curso, Paulo Vitória, psicólogo e professor da Universidade da Beira Interior, e Sérgio Novo, diretor artístico da ASTA - Teatro e Outras Artes.

De onde surgiu a ideia de criar este curso e como é que se insere na formação em Saúde?

Paulo Vitória (PV): Este curso aparece numa linha que tem sido desenvolvida na Faculdade de Ciências da Saúde para desenvolver as competências de comunicação clínica. Essa linha começa na Unidade Curricular de Bases Psicológicas da Medicina, onde temos um módulo de Psicologia da Comunicação, muito focado na mudança de comportamentos, e mais tarde, numa outra Unidade Curricular, leciona-se a comunicação de más notícias. De facto, a comunicação clínica não acontece no vazio, acontece porque queremos lidar com questões emocionais, ou porque queremos influenciar uma mudança de comportamento, ou porque queremos lidar com uma má notícia.

Qual é o impacto deste curso de pacientes simulados na formação e avaliação dos estudantes de medicina? E qual o seu objetivo central?

PV: Embora o foco imediato seja a educação médica e a avaliação dos estudantes de Medicina, o curso é uma excelente oportunidade de aprendizagem para todos os participantes. Para os estudantes de Medicina, vivenciar o papel do paciente oferece uma perspectiva única, essencial para sua prática futura. No entanto, o tema principal do curso não é a simulação em si, mas a comunicação — uma das soft skills mais críticas na saúde. Assim, o curso é valioso, não apenas para médicos em formação, mas para qualquer pessoa que queira desenvolver essa competência fundamental. A comunicação é uma competência que nos serve a todos, independentemente da nossa vida profissional, e tem até contributos muito importantes para a nossa vida pessoal.

O grupo desta segunda edição é muito mais diversificado. Que vantagens é que essa diversidade traz?

PV: Nesta edição, foi muito importante para nós ter uma mistura de estudantes de Medicina e de outros participantes. Tivemos um grupo fantástico, que incluiu estudantes de Medicina, de outros cursos, de outras universidades, e até de pessoas que já não estão na universidade, o que torna este grupo fantástico em termos de diversidade de idades, experiências e formações.

Sentiu-se um grande envolvimento, participação e entusiasmo, portanto, o grupo correspondeu às nossas melhores expectativas.

Quais os principais desafios de organizar e lecionar o curso, e quais os planos futuros?

PV: Um dos desafios é garantir a sustentabilidade do projeto. Para que os pacientes simulados sejam efetivamente integrados na educação e avaliação médica, o curso precisa de ser realizado anualmente, consolidando uma base de participantes qualificados.

Na primeira edição, tivemos apenas estudantes de Medicina, o que gera conflitos de interesse na avaliação (colegas não devem avaliar colegas). Por isso, procurámos diversificar o perfil dos participantes — incluindo pessoas de fora da universidade, como alunos da Academia Sénior. No entanto, há um obstáculo: noutras faculdades (como Lisboa, Braga e Porto), os pacientes simulados são remunerados. Nós demos um primeiro passo com as bolsas do PRR, mas esse valor é apenas um incentivo à participação no curso, não uma garantia de que atuarão depois como pacientes simulados nas avaliações.

Se não contamos com atores profissionais, como noutras instituições, teremos de encontrar alternativas e criar incentivos adicionais para cativar mais voluntários a longo prazo.

Qual é o papel das artes performativas neste curso?

PV: A componente da arte e do teatro tem um contributo muito importante para a própria dinâmica do grupo, para os quebra-gelos, para as pessoas se sentirem confortáveis e à vontade umas com as outras, e para perderem o medo do ridículo. Mais importante ainda, esta abordagem promove um autoconhecimento que transcende o contexto do curso e permite que, no tal processo de comunicação, estejamos mais inteiros, mais conscientes de nós próprios, e  mais confortáveis com o que somos, com as nossas virtudes, os nossos defeitos, a nossa identidade. Tudo isso está alinhado com o objetivo central do curso, que é melhorar as nossas competências de comunicação.

Sérgio Novo (SN): O contributo das artes performativas é notório e visível, não só porque criam um ambiente descontraído e de confiança, tanto a nível individual como a nível grupal, mas também porque incentivam os participantes a arriscar e a libertar-se do medo de errar. 

As artes performativas também nos permitem uma outra coisa, que é brincarmos ao mesmo tempo, ou seja, aligeirar coisas ou situações que até podem ser muito complicadas, sobretudo a nível de más notícias. Quando estamos num personagem, vamos sentir isso, vamos fazer vivenciar isso a quem nos está a transmitir essas notícias. Acima de tudo, somos pessoas, somos seres humanos e nisso trabalhamos com sentimentos.


    Assim, parafraseando Sérgio Novo, “a capacidade de trabalhar os sentimentos é das melhores qualidades que um profissional de saúde pode possuir”, e foi esta competência que mais foco teve durante o curso. Apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer até ao objetivo final, este curso é o primeiro passo na direção certa para uma educação médica mais completa.


Sara Castro e Alexandra Lourenço

Bibliografia: 

  1. Flanagan OL, Cummings KM. Standardized Patients in Medical Education: A Review of the Literature. Cureus. 2023 Jul 17;15(7):e42027. doi: 10.7759/cureus.42027. PMID: 37593270; PMCID: PMC10431693. 

  2. Higham H, Baxendale B. To err is human: Use of simulation to enhance training and patient safety in anaesthesia. In: British Journal of Anaesthesia. Oxford University Press; 2017. p. i106–14.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

À conversa com... IX Herminius

maio 05, 2025 0
 À conversa com... IX Herminius



Num espaço culturalmente rico, como é a Covilhã, um universo académico marcado por exames frequentes, estágios no hospital, noites mal dormidas e tudo aquilo que abrange a vida de um estudante de medicina, há quem encontre na música uma segunda casa. À porta de mais um festival que promete animar a cidade e reunir tunas de várias partes do país, estivemos à conversa com um membro da Tuna-MUs - Tuna Médica da Universidade da Beira Interior -, que nos falou sobre a preparação do evento, a vida dentro da tuna e a importância da arte tunante no panorama académico e cultural. Connosco temos o Magister, Dinis Antunes, que se predispôs prontamente a responder a algumas perguntas e divulgar o festival.


BA: Podes falar-nos um bocadinho sobre a tua experiência enquanto membro integrante e ativo da Tuna-MUs e sobre o teu percurso na mesma?


DA: A minha experiência na Tuna-MUS, como a de todos os membros, é verdadeiramente marcante. Desde o início, sentimos que estamos a entrar numa segunda família. A Tuna não é apenas um grupo musical, é um espaço onde criamos laços fortes, onde crescemos juntos e aprendemos a conciliar diferentes responsabilidades. Para além disso, proporciona-nos momentos únicos, repletos de alegria e animação, e muitas vezes funciona como um escape saudável à pressão do dia a dia académico ou pessoal.


BA: De que maneira consideras que ser membro ativo de uma tuna pode influenciar, tanto positiva como negativamente, o teu percurso académico enquanto estudante universitário de medicina, principalmente sendo tu, como me disseste, estudante deslocado na Covilhã?


DA: Ser membro ativo de uma tuna, principalmente num curso como Medicina é um desafio que muitos de nós partilham, mas com organização e sabendo equilibrar as coisas, conseguimos conciliar bem tudo. A tuna acaba por ter um impacto muito positivo. O ambiente é de verdadeira entreajuda, tanto a nível académico como pessoal, o que faz uma grande diferença, especialmente quando estamos tão longe da família. Por fim, cria-se uma ligação muito especial com a Covilhã. A cidade deixa de ser só o local onde estudamos e passa a ser casa. Isso deve-se muito às amizades que se criam na tuna e também ao facto de organizarmos eventos culturais que envolvem tanto os estudantes como a cidade em si. É um orgulho sentir que contribuímos para dinamizar a vida académica e cultural desta cidade.


BA: Em jeito de curiosidade, possivelmente haverá muitos membros que ingressaram com pouco ou nenhum conhecimento artístico. Como achas que a participação numa tuna contribui para o desenvolvimento cultural de uma pessoa? Há algum estilo artístico ou estético que vos caracterize?


DA: A maioria de nós entra sem grande formação musical e isso nunca foi um entrave. Aliás, é mesmo um dos grandes orgulhos da tuna: permitir esse crescimento artístico. Aprendemos uns com os outros e, com o tempo, ganhamos gosto e sensibilidade.


BA: Chegou-nos aos ouvidos que o próximo mês será atribulado para vocês. Queres falar um bocadinho sobre o que vai acontecer? 


DA: É verdade! Estamos na reta final da preparação do IX HERMINIUS – Festival de Tunas da Universidade da Beira Interior, que vai acontecer nos dias 9, 10 e 11 de maio. É um momento muito especial para nós, onde recebemos tunas de todo o país e mostramos o que de melhor se faz na Cidade Neve.


BA: O que podemos esperar deste festival? Há alguma novidade este ano que distinga esta edição do festival das anteriores?


DA: A grande novidade está na Noite de Serenatas, no dia 9 de maio, que será num espaço simbólico — a Igreja de Santa Maria Maior — e promete ser especialmente emotiva. No sábado, temos a Noite de Festival no Grande Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, com um espetáculo memorável. E no domingo, terminamos com um almoço-convívio no Oriental São Martinho entre todas as tunas. Um fim de semana cheio de música, cultura e espírito académico!


BA: De que forma foi feita a seleção das tunas que vão participar e quais são? Ou seja, o que é que vos levou a convidar estas tunas e não outras?


DA: Procurámos tunas que representassem diferentes regiões do país e que garantam o melhor espetáculo possível. Assim, este ano vamos contar como tunas a concurso: TUIST - Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico, Gatunos - Tuna Académica do Politécnico do Porto, TAIPCA - Tuna 

Académica do Politécnico do Cávado e do Ave e a FAN-Farra Académica de Coimbra. A abertura contará com uma atuação da C’a Tuna aos Saltos, as nossas afilhadas. O final da noite será marcado pela atuação da Tuna-MUs! Vai ser uma noite incrível. 


BA: Antes de terminar a entrevista, gostava de te deixar um espaço aberto para falares um bocadinho sobre o festival, apelar à presença dos nossos leitores ou esclarecer dúvidas que consideres recorrentes.


DA: Queria deixar o convite a todos para virem viver connosco esta experiência única. O IX HERMINIUS não é só um festival de tunas — é um momento de celebração da cultura, da música e da vida académica. O nosso evento contará com mais de um after! Na sexta-feira, dia 9 de maio, será no Bar Académico e no Ora Viva Club, e no sábado, dia 10 de maio, no Bar Académico e na Companhia Club. Os bilhetes para a Noite de Festival podem ser adquiridos através das nossas redes sociais ou de bancas na FCS-UBI. Todos serão muito bem-vindos. Contamos com a vossa presença para fazer deste fim de semana um momento inigualável para a cidade da Covilhã e para os estudantes.

 

 

Bárbara Azevedo