Dança, uma das mais antigas formas de comunicação da história. Há relatos de que, desde a época da pré-história, os seres humanos já usavam uma série de movimentos que, com o tempo, formariam ritmos e sequências, criando uma certa harmonia, um certo tipo de dança.
A dança continuou connosco durante o nosso percurso. Os egípcios utilizavam-na nos seus rituais, ao som de pandeiretas e castanholas. A dança também teve a sua importância na antiga Grécia, não só nos seus rituais e eventos religiosos, mas também numa vertente de entretenimento, onde se inseriu a dança no mundo do teatro. Muitos filósofos gregos apoiavam a dança, como é o caso de Platão que acreditava que a dança era uma forma de conseguir ligar o nosso corpo à alma, dando-lhe um aspeto moral e educativo. Já os romanos continuaram a integrá-la na sua sociedade, pondo-a um pouco de lado em celebrações religiosas, mas continuando a dar-lhe importância como entretenimento.
Apesar de permanecer sempre connosco, também teve os seus períodos menos bons, como durante a Idade Média. A influência da Igreja pôs um travão na maneira como as pessoas se expressavam e viviam e a dança não foi uma exceção. Aparecem dois tipos diferentes de danças: as danças populares, mais movimentadas e cantadas e as danças da corte, mais sofisticadas e coordenadas, sendo a primeira vez que aparecem as danças a pares. Esta época também ficou marcada por momentos posteriormente denominados episódios de coreomania, ou Epidemia da Dança. Estes consistiam em pessoas que se juntavam num local público e começavam a dançar incansavelmente, durante dias, até à exaustão ou, em casos mais graves, à morte.
Após ser considerada uma atividade em segundo plano durante muito tempo, a chegada do Renascimento traz-lhe uma nova vida. Começando na corte italiana e, depois, pelo mundo, a dança ganha uma forma mais estruturada. Desenvolvem-se os primeiros livros de regras e esta começa a ser ensinada pelas classes mais nobres, constituindo um sinal de status. Entre vários tipos de dança, destaca-se a Pavana. Originalmente de raiz italiana, foi posteriormente levada para a corte francesa, onde foi desenvolvida, contribuindo para a formação do ballet.
Assim, como grande figura do ballet francês, destaca-se o rei D. Luís XIV, onde, na sua corte, este estilo de dança era muito apreciado, tendo este mesmo feito inúmeros espetáculos nos seus sapatos altos vermelhos característicos. Surge, também, nesta altura a renomada Académie Royale de Danse, em 1661, mas foi apenas no século XIX que este estilo de dança atingiu o seu auge técnico e artístico com o surgimento da vertente russa. Neste período foram aprimoradas as famosas sapatilhas de pontas, destacaram-se figuras como o bailarino Marius Petipa e o compositor Piotr Tchaikovski.
A partir do séc. XX, ocorreu uma grande revolução no mundo da dança. Os bailarinos e bailarinas decidem afastar-se das rígidas regras do ballet clássico e experimentar novos passos que lhes proporcionem mais liberdade de movimento. Assim, surgem novos estilos de dança, como a dança moderna e a contemporânea, destacando-se figuras como Isadora Duncan e Martha Graham e estilos como jazz, danças sociais (entre elas tango, salsa e rumba) e danças urbanas, como o hip hop.
Em Portugal, a dança assenta numa forte tradição popular, incluindo estilos como o vira, o corridinho, o bailinho e os pauliteiros de Miranda. Ainda assim, o país também desenvolveu a vertente da dança clássica, tendo sido criada no século XX a Companhia Nacional de Bailado. Mais recentemente, a dança contemporânea tem ganho destaque, com nomes como Vera Mantero.
Todo este percurso da dança permitiu-nos chegar aos dias de hoje, onde esta é vista como uma arte, dando, àqueles que a praticam, a liberdade e a possibilidade de expressar sentimentos e emoções através do movimento, quando as palavras não são suficientes. Desta forma, a UNESCO decidiu criar o Dia Internacional da dança, em 1982 e escolheu o dia 29 de abril por ser o dia do nascimento de Jean-Georges Noverre, considerado o pai do ballet moderno, permitindo, assim, celebrar todos os estilos de dança e promovê-la como arte universal e considerando-a uma parte importante da cultura humana.
Queria, por fim, deixar uma nota pessoal e o motivo de querer escrever sobre este tópico. A dança sempre foi, para mim, uma parte essencial da minha vida. Sinto que a dançar podemos expressar o que sentimos, quando tudo o resto falha. Outro ponto que adoro na dança é saber que todos o podemos fazer e que cada um de nós o fará na sua própria maneira especial e única.
Já Marta Graham dizia “a dança é a linguagem escondida da alma” e eu não poderia estar mais de acordo. Dançar é contar uma história, é expor quem nós somos e, apesar da vulnerabilidade que isso acarreta, também é nesse momento que conseguimos realmente sentir e demonstrar aos outros o que sentimos. Dança é expressão. Dançar é sentir. Dançar é viver sob as nossas próprias normas.
Mónica Pereira
