março 2025 - Fusão

terça-feira, 25 de março de 2025

Viver mais de 100 dias com um coração de titânio

março 25, 2025 0
Viver mais de 100 dias com um coração de titânio

 


Um homem australiano (que optou por manter a anonimidade) tornou-se a primeira pessoa a sobreviver durante mais de 100 dias com um coração feito de titânio, até receber o órgão em questão através de um dador. Este passo gigante para a medicina decorreu entre novembro do ano passado e o início deste mês.

Foi devido à falta de corações disponíveis que o senhor realizou o procedimento em questão. Este é feito com o intuito de manter os pacientes vivos até que um transplante com recurso a dador seja possível, mas a ambição partilhada por vários cirurgiões e pelo criador do coração de titânio é a de que quem necessite de um transplante possa, na verdade, viver com esse mesmo dispositivo durante toda a sua vida.

Relativamente ao produto, este designa-se por Coração Artificial Total BiVACOR, tendo sido criado pelo doutor Daniel Timms. É descrito como uma bomba de sangue rotativa que usa tecnologia de levitação magnética (sim, a mesma tecnologia utilizada por alguns comboios de alta velocidade) para se assemelhar ao efeito de um coração normal. [1]

Cientificamente, o Dr. Timms explica que não seria possível ter um coração artificial que imitasse o “apertar e relaxar” do coração normal e saudável uma vez que, com o tempo, o dispositivo poderia perder essa ação. As membranas e válvulas mecânicas iriam tornar-se cada vez mais fracas e, desta forma, o coração teria de ser substituído. O dispositivo de titânio é diferente na medida em que este apresenta um disco rotativo no interior que funciona, como mencionado atrás, através de levitação magnética. Assim, não há fricção e, consequentemente, o coração pode durar muito mais tempo.

É importante salientar que o senhor australiano em questão não foi a primeira pessoa a nível mundial a receber o coração de titânio, mas sim o primeiro a atingir o número de 100 dias com este tipo de tecnologia a substituir o efeito de um coração normal. Isso indica, obviamente, um grande marco na possibilidade de manutenção de um maior tempo de vida sem recurso a órgãos de dadores.

A nível nacional estima-se que, entre a população com mais de 50 anos, uma em cada seis pessoas tenha insuficiência cardíaca.[2] Não temos dados atualizados acerca da prevalência desta condição na população mais jovem.

Em 2024, Portugal realizou a recolha de 60 corações, sendo que 58 destes foram transplantados no nosso país e os restantes em Espanha. No entanto, 60 pacientes continuavam à espera da sua vez no final do ano.[3] Assim, é muito importante refletirmos seriamente acerca de como a tecnologia em causa pode efetivamente aumentar o tempo de vida enquanto assegura a manutenção da qualidade desta. Os riscos têm de ser corretamente avaliados, mas os resultados são cada vez mais promissores.

Este tipo de tecnologia irá tornar-se cada vez mais prevalente no nosso quotidiano, e é importante mantermos em mente as suas possíveis aplicações. Com o investimento certo e os estudos necessários, podemos estar a caminhar para um mundo em que o transplante com recurso a órgãos artificiais (e não apenas de corações) se torna cada vez mais comum e seguro, salvando milhares de vidas em todo o mundo.


Margarida Reis


Referências

  1. Australian man survives 100 days with artificial heart in world-first success. The Guardian. 2025. https://www.theguardian.com/australia-news/2025/mar/12/australian-man-survives-100-days-with-artificial-heart-in-world-first-success?CMP=share_btn_url
  2. Baptista, R, et al., Portuguese Heart Failure Prevalence Observational Study (PORTHOS) rationale and design - A population-based study. PubMed. 2023;42(12):985-995. doi: 10.1016/j.repc.2023.10.004  
  3. Agência Lusa, Portugal alcança marco histórico de transplantes cardíacos em 2024. CNN Portugal. 2024. https://cnnportugal.iol.pt/transplantacao/coracao/portugal-alcanca-marco-historico-de-transplantes-cardiacos-em-2024/20250212/67ac4e35d34ef72ee442238c


terça-feira, 11 de março de 2025

Ser Colaborador, Marcar a Diferença

março 11, 2025 0
Ser Colaborador, Marcar a Diferença

 

    Ser colaboradora do MedUBI foi muito mais do que integrar um núcleo académico, foi um abrir de olhos para um mundo que nunca tinha imaginado. Descobri um espaço onde a dedicação se entrelaça com o crescimento pessoal, onde os desafios nos moldam e se tornam as ligações que criamos laços para a vida.

    A vida académica é feita de desafios e aprendizagens. Entre salas de aula e exames, há espaços onde crescemos de forma inesperada, onde encontramos propósitos e onde nos tornamos parte de algo maior. O MedUBI é esse espaço, anualmente, para cada um dos seus colaboradores. Um lugar onde descobrimos que esta tarefa não é apenas desempenhar funções ou organizar atividades e projetos, mas também construir, lado a lado, algo que nos transcende.

    Acima de tudo, é aprender sobre pessoas. Os que caminharam ao nosso lado, tornam-se amigos, cúmplices de jornadas marcadas por gargalhadas espontâneas, conversas transformadoras e apoio incondicional. Mais do que as atividades que ajudamos a erguer ou os desafios que superamos, o que realmente importa é o impacto que deixamos e a marca que levamos connosco. São as palavras de encorajamento numa tarde difícil, os momentos de partilha que nos fazem crescer, a certeza de que contribuímos para algo maior, para a comunidade. No fundo, ser colaborador é isso: encontrar um propósito que se reflete não só naquilo que fazemos, mas na forma como escolhemos ser.

    Ser colaborador é também aprender a enfrentar desafios com resiliência, a trabalhar em equipa e a encontrar soluções onde só há obstáculos. Ser parte desta equipa é aprender o verdadeiro significado de compromisso. É perceber que, mesmo quando o cansaço pesa, há uma motivação maior que nos move: o impacto que podemos ter nos outros. É saber que cada ideia partilhada, cada projeto concretizado e cada desafio superado faz parte de uma construção coletiva que transforma a nossa vivência universitária. É descobrir que a universidade não é apenas um lugar de passagem, mas pode ser um verdadeiro lar, onde nos sentimos parte de algo maior do que nós próprios.

Ana Margarida Sousa