segunda-feira, 28 de julho de 2025
segunda-feira, 21 de julho de 2025
No dia 18 de julho, celebrou-se o Dia Internacional de Nelson Mandela, uma figura histórica que deixou a sua marca no mundo político, divergindo do que era convencional ao combater o apartheid. Este período, que se estendeu desde 1948 a 1994, ficou lembrado por um regime de segregação racial.
Membro ativo do Congresso Nacional Africano e cofundador do primeiro escritório de advogados negros da África do Sul, Nelson Mandela é um símbolo de resistência a um regime que renegava parte da sua sociedade por razões étnicas e elitistas. Pela causa que acreditava e defendia, foi condenado a prisão perpétua pelo regime, tendo sacrificado 27 anos de liberdade por um mundo com condições de igualdade social, sem discriminação. As suas convicções atingiram uma dimensão tão honrável e digna de ser cumprida que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1993. Libertado em 1990, foi presidente da África do Sul de 1994 a 1999, onde se manteve fiel aos seus princípios e lutou fortemente por direitos de igualdade racial e justiça.
É uma figura histórica pela qual devemos ter uma consideração intemporal e inabalável. Provou ao mundo que a defesa das nossas crenças e direitos não deve ser oprimida pelas convicções e regras da sociedade, sendo sempre uma causa honrável e digna de se levar avante. Este homem, que viveu num regime que oprimia a sua raça, manteve a sua perseverança e lutou por uma igualdade racial que era vista pela sociedade elitista como algo inaceitável.
Tal como este herói lutou pelo seu povo, há uma variedade de temas controversos atuais por debater e resolver, desde o racismo, que até hoje marca a nossa sociedade, até às doenças do foro mental, um problema mais recente. O facto de certas etnias e raças ainda serem excluídas e frequentemente ignoradas nos dias de hoje é algo arcaico, uma vez que o mundo, cada vez mais global e moderno, promove o cruzamento de culturas e personalidades distintas. Como tal, este problema deve ser tratado com a urgência que merece e não como algo histórico e difícil de modificar. Já Nelson Mandela, referindo-se aos problemas do seu tempo, disse o seguinte: «Ser livre não é apenas quebrar as próprias correntes, mas viver de uma maneira que respeite e aumente a liberdade dos outros.».
Como tal, dias de comemoração e de homenagem como o dia 18 de julho são essenciais para recordar a coragem que estas pessoas tiveram ao enfrentar quem os oprimia e maltratava. A mudança não é repentina e exige revolta pacífica e persistência de princípios, sem se deixar corromper.
Estes exemplos admiráveis inspiram ondas de movimento necessárias à mudança e a uma vida melhor, pelo que estes dias são um fator de consciencialização e um motor de arranque para novas aventuras e igualdade no mundo.
Marta Ferreira
segunda-feira, 14 de julho de 2025
Nos dias de hoje, em que há cada vez mais manifestações e apelo para a expressão de ideias, continuamos presos por trás das grades do silêncio e, apesar de estarmos munidos da chave para a liberdade, ninguém se digna a usá-la.
Como classificariam o silêncio? Como explicariam a alguém este conceito? Alguma vez pensaram que o silêncio é apenas positivo? Desde pequenos é nos ensinado a não falar nas aulas, que o silêncio é bom. Mas será isto sempre verdadeiro? Deve uma vítima de bullying ficar calada e a ver outras pessoas sofrerem? Deve alguém ignorar os sinais de depressão no amigo, embora já os tenha experienciado no passado? Devemos aceitar os limites que a sociedade nos impõe? Devemo-nos contentar com o presente, em vez de lutarmos por um futuro melhor?
Não, devemo-nos orgulhar de todas as batalhas travadas, quer tenhamos saído vitoriosos ou não, devemos partilhar as nossas histórias, porque não somos fracos: somos sobreviventes.
As histórias servem para ser contadas, temos de revelar as nossas paixões e opiniões, e que outro melhor momento que o presente para o fazer? Todos os dias nos deparamos com histórias de violência, mas o que me causa mais alarme é a persistência do silêncio em cada uma delas. É a tradição do silêncio em que vivemos, que insiste em que estas histórias continuem a existir e a aumentar.
Olhando um pouco para o passado, é possível estabelecer que o silêncio nunca ajudou ninguém e apenas permite que o círculo vicioso continue. Se as histórias não forem contadas, serão esquecidas e o futuro não conseguirá aprender com o passado.
Silêncio é dor. Silêncio é morte, porque quando suprimimos a nossa história e enterramos a nossa dor, perdemos um pouco de nós a cada dia que passa e deixamos outros desaparecer pela mesma causa.
No entanto, é normal sentir medo em quebrar o silêncio e, muitas vezes, temos de escolher certas batalhas de todas as que lutamos diariamente. Mas se começares a pensar no que gostarias de dizer, já é um passo para que um dia o faças. A nossa situação não irá mudar até que comecemos a quebrar os pequenos silêncios que nos rodeiam e que sufocam o nosso pensamento livre.
Sara Castro
segunda-feira, 7 de julho de 2025
“Porque devo ter o trabalho de ler o que não te deste ao trabalho de escrever?”
- Autor desconhecido
A cada dia, a inteligência artificial (I.A.) é alimentada com mais e mais informação. Com a conveniência que advém desta, mais pessoas utilizam ferramentas com este recurso e, consequentemente, assim se forma um ciclo. Mas, então, que relação é que isto tem com a arte?
Quem passa algum tempo na internet sabe perfeitamente que a inteligência artificial tem vindo a desenvolver-se cada vez mais. Chegámos já a um ponto em que, muitas vezes, é virtualmente impossível distinguir a realidade de imagens geradas por I.A.. Desta forma, também a arte será afetada por isso. Pessoas conseguem descrever aquilo que querem a uma máquina que, por sua vez, regurgita o trabalho de milhares de artistas dos quais se “alimentou” ao longo do tempo, sem consentimento destes, com o propósito de entregar ao “artista de I.A.” aquilo que ele solicitou. De seguida, este “artista” coloca a sua arte em plataformas, vende-a, faz o mesmo que qualquer outro. Mas o trabalho é, realmente, seu? O esforço, a recompensa de admirar uma obra após horas e horas de trabalho, a satisfação de ver que conseguiu realmente concretizar aquilo que tinha em mente, estão lá? Para muitos, talvez. Mas para outros, não. E, enquanto alguns artistas passam a ser “artistas de I.A.”, pela conveniência e facilidade que esta oferece, o oposto também vem a ocorrer, numa busca por essa mesma satisfação e alcance de arte que possam catalogar como sua.
E os artistas? Foram eles que deram a sua arte, a partir do momento que a colocam na internet. Não é ético e é, no fundo, como se eles fossem cozinheiros, a I.A. pegasse nos seus pratos, fizesse uma mistura, e oferecesse o prato já preparado a alguém que clama ter direito a chamá-lo como seu. O mesmo ocorre com a escrita, e esta não afeta só artistas. Quantas ferramentas já têm assistentes de I.A. integradas? Como exemplo, a Google foi alvo de um processo, acusada de utilizar dados da sua plataforma, considerados “publicamente disponíveis”. Mas isso “nunca significou uso gratuito para qualquer finalidade”, disse Tim Giordano, advogado. “As nossas informações pessoais e nossos dados são propriedade nossa, são valiosos e ninguém tem o direito de simplesmente os usar para qualquer fim.” [1] A I.A. veio para ficar, e cada vez mais vai recorrer ao que conseguir para se expandir e alimentar das diversas facetas da vida humana. A conveniência e facilidade que temos em gerar o que quer que seja a partir de um simples clique vem sempre com um preço que, no futuro, poderemos ter de vir a pagar.
Felizmente, haverá sempre quem prefira apoiar criações feitas por pessoas. O esforço é sempre recompensado, e acredito que esse é, realmente, o caso. Para mim, haverá sempre um carinho especial por criações feitas com coração e esforço, e nunca por “arte” fria e, no fundo, sem vida, uma junção destrutiva em vez de construtiva.
Margarida Reis
[1] 1. Thorbecke C. CNN [Internet]. Google hit with lawsuit alleging it stole data from millions of users to train its AI tools | CNN Business; 11 jul 2023 [citado 30 jun 2025]. Disponível em: https://edition.cnn.com/2023/07/11/tech/google-ai-lawsuit/index.html
