março 2026 - Fusão

terça-feira, 10 de março de 2026

Reações de Fusão

março 10, 2026 0
Reações de Fusão


    Alguns nascem para bailar, uns para cantar, muitos de nós para doar tempo e presença ao próximo, outros para inovar e há quem nasça para desafiar o dia-a-dia mundano. O Fusão é o projeto que, como o próprio nome indica, nasce para fundir todas estas formas de expressão. Parte de um lugar de partilha, reflexão e criatividade dentro da comunidade de estudantes de medicina e procura cada vez mais inspirar o seu público a ser mais do que futuros(as) médicos(as) pois “um médico que só sabe medicina, nem medicina sabe”. Aqui procura-se ser mais e melhor, primar pelo autoconhecimento, acolher a diferença, questionar a vida que nos rodeia, fomentar amizades, partilhar ideias - o estímulo energético duradouro e resistente que vai além de passatempos passivos com scrolls infinitos e nocivos através de um ecrã.
     Qual reação de fusão nuclear, também este projeto académico une pequenos e leves núcleos atómicos (os diferentes departamentos - revista, podcast, edição e reportagem) que sob temperaturas extremas (subentendidas como reuniões gerais e intra-departamento) se fundem para formar elementos mais pesados (material de leitura e visualização inéditos), libertando energia. De facto, esta libertação de energia que sai do trabalho de cada um dos seus colaboradores tanto é fonte de realização pessoal, como fonte de crítica e inspiração para o seu público. Assim se formam estrelas, sejam elas reais ou imaginárias. 
    Uma das principais vertentes deste projeto é a revista Fusão, para a qual orgulhosamente contribuí com diversos textos, e que funciona como uma plataforma de escrita e, a certo ponto, extensão dos próprios escritores. Através da revista, os estudantes têm a oportunidade de publicar textos de opinião, experiências pessoais no percurso académico, inquietações, ou até dissertar sobre temas académicos, culturais e humanísticos relacionados com saúde. Este pequeno grande núcleo promove não só a comunicação científica, mas também o pensamento crítico, a criatividade e, fundamentalmente, a capacidade de expressão escrita - uma bela arte que, se não nos mantivermos atentos, cai no obsoleto. 
    A título pessoal, a Revista deu-me, em variadas ocasiões, palco onde expressar partes de mim que de outra fariam ficariam para sempre retidas no caderno de linhas, mas também momentos de desafio com o chamado “writer's block” a assombrar-me. Não obstante, o percurso foi gratificante e tê-lo-ia prolongado não fosse uma tal de obrigação laboral que se aproxima - classe operária médica, dizem eles. Também de uma forma geral, o Fusão deu-me a oportunidade de poder fazer parte de um projeto coletivo, em que entreajuda é palavra de ordem, e de ver como outras mentes brilhantes operam. 
    Posto isto, querido(a) leitor(a), participar no Fusão não é apenas mais uma linha que poderás acrescentar ao currículo, é uma história que vais contar e que vai ficar na tua memória e na dos que se venham a juntar a esta casa na Beira Interior. Apesar de ainda recente, com apenas 3 anos, o Fusão aproxima a medicina de outras áreas, contribuindo para o potencial criativo de todos nós. Aqui tens a oportunidade para expressares as tuas ideias, desenvolveres competências de escrita, comunicação verbal ou edição, e juntares-te a uma constelação de estrelas, livre de julgamentos. Mais do que um simples projeto, o Fusão representa um espaço onde a medicina se encontra com a reflexão, a cultura e a partilha de ideias. Vem brilhar connosco!

Bruna Machado

segunda-feira, 2 de março de 2026

PNA na Cidade Neve

março 02, 2026 0
PNA na Cidade Neve


Como todos os estudantes de medicina sabem, a Prova Nacional de Acesso (PNA) é uma prova de ordenação de candidatos integrada no procedimento concursal de ingresso no Internato Médico que visa o acesso à Formação Especializada.

Também sabemos, igualmente, que a PNA se realizou no dia 26 de novembro de 2025 nas seguintes zonas: Santa Maria da Feira (Europarque), Coimbra (Caves de Coimbra), Lisboa (FIL), Ponta Delgada (Auditório do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada) e Funchal (Hotel Vidamar).

Das zonas referidas, a mais próxima é Coimbra - a aproximadamente duas horas de distância de carro - num dia normal. No entanto, saliento que não se trata, nem nunca se tratará, de um dia normal. Com o trânsito, inquietações e todo o movimento que a prova engloba, é relevante apontarmos para tudo aquilo que pode correr mal e, consequentemente, para os atrasos que podem surgir. Adicionalmente, nem toda a gente se deslocará de carro, o que implica ainda mais tempo perdido e, consequentemente, ainda mais desgaste físico e emocional.

Uma resposta óbvia para este problema é pernoitar em hotéis. Contudo, refiro que esta solução não só exige gastos adicionais, como altera o ambiente em que nos encontramos. Como tanta gente afirma, “não é dia de mudanças nem de se inventar coisas novas”. Desta forma, modificar as condições de sono não se trata de uma mudança relevante? Não é uma alteração que pode condicionar o sucesso? É um fator fora do nosso controlo e de igual modo que tentamos controlar os restantes, a localização não deveria ser uma questão tão marcada e prejudicial para os alunos do interior.

Assim, numa prova em que se preza a uniformidade de condições e os devidos cuidados para que todos os alunos tenham acesso justo e digno para a sua realização, é importante realçar os gastos monetários e a exigência física e psicológica de quem se desloca para aquele que é dos momentos mais importantes da nossa vida a nível profissional, e que definirá a nossa carreira enquanto futuros médicos.

Até 2019, os alunos da FCS podiam realizar o exame na Covilhã sendo que, devido à pandemia e reorganização logística, a ACSS decidiu concentrar a prova em grandes pavilhões. É agora tempo de serem definidas condições de prova que permitam à Covilhã fornecer espaços aos alunos com as mesmas.

Com o recente apelo da Câmara Municipal da Covilhã para que a prova se realize mais uma vez no interior, é de extrema importância que continuemos a debater este tema e, um dia, acredito que conseguiremos voltar a atingir esta grande vitória para o interior.

Margarida Reis