junho 2025 - Fusão

terça-feira, 24 de junho de 2025

O Estranho Mundo do Brainrot Italiano

junho 24, 2025 0
O Estranho Mundo do Brainrot Italiano



 Crocodilos voadores, cabeças de camelo coladas a frigoríficos, tubarões antropomórficos que caminham pela praia com sapatilhas NikeTM azuis… Se percebeste, parabéns! Fazes já parte do admirável mundo novo do brainrot italiano.

    Para os que ainda não estão familiarizados, são estas as mascotes não-oficiais de um fenómeno que invade as redes sociais desde janeiro de 2025, composto por imagens e sons propositadamente absurdos e ridículos, que desafiam qualquer lógica tradicional.

    As imagens representam monstros, quimeras, experiências. Há, logo neste ponto, uma ironia perversa: estas criaturas nascem de ferramentas de inteligência artificial que prometiam “beleza hiperrealista”, mas são deliberadamente torturadas até se tornarem aberrações. Os criadores não falham; escolhem a anti-estética como forma de resistência à perfeição artificial que domina as redes.

    E enquanto no ecrã um dragão massivo (pun intended!) estende as suas asas de macarrão e cospe molho, a voz robótica apresenta-nos Cannelloni Dragoni, o dragão de massa que queima cidades com o seu bechamel infernal. Voa sobre Nápoles, cospe ricotta a ferver e coze os inimigos dentro do forno do destino. Não tem coração, apenas mozzarella fundida, massa e poder.

    Tal como este, cada monstro é acompanhado por uma melodia personalizada, um leitmotiv que mistura palavras sem sentido. Aliás, o sucesso do brainrot deve-se, pelo menos em parte, ao facto de as pessoas reconhecerem os sons mas não compreenderem o seu significado. Ninguém pára para traduzir cada frase, deixando-se transportar pela aura de musicalidade que a língua italiana leva a ouvidos alheios. Talvez muitos admiradores estivessem bem menos entusiasmados se soubessem que o Tralalero Tralala grita “porco Dio e porco Allah” e que o Bombardino Crocodillo bombardeia crianças na Palestina. E é precisamente esta desconexão entre som e significado que permite a exportação do fenómeno: o que em Itália seria escândalo, na Indonésia é apenas fonética – como se a língua italiana, reduzida a puro significante, se tornasse a nova lingua franca do nonsense. O Tung Tung Sahur é apenas a ponta do iceberg; cada cultura adapta o fenómeno aos seus demónios locais, criando novas bestas que misturam folclore tradicional com absurdismo digital.

   Esta apropriação não é passiva; é, antes, uma reinvenção frenética, devida à facilidade com que se modificam e    difundem estes personagens fantásticos. Passa-se assim do simples meme ao world building, ao nascimento de uma espécie de mitologia, um épico que conta a origem de cada um dos personagens, com páginas wiki que percorrem a história e a génese dos encontros, das guerras, das fações, e das transformações. O Cannelloni Dragoni não cospe molho por acaso – há teorias inteiras dedicadas a explicar porque foi amaldiçoado pela feiticeira Parmesão.

    Para quem olha de fora, poderá parecer que tudo isto é apenas um devaneio, uma febre delirante que contaminou o inconsciente coletivo. Procurar sentido em fenómenos extremos como o brainrot é uma empreitada geralmente destinada ao fracasso. E, no entanto, é precisamente a repetição de imagens grotescas, a vulgaridade gratuita e as montagens decadentes que criam uma nova forma de comunidade. A identificação com estes personagens nasce da sua falta de moralidade, de qualidade, de nexo. São os anti-heróis perfeitos para uma geração que cresceu entre crises económicas, pandemias e inteligências artificiais psicóticas.

    Neste ecossistema anárquico, até a própria ironia sofre mutação. Se os memes clássicos operavam em duplo sentido, aqui a ironia clássica morreu. O brainrot opera num registo pós-irónico – não há "piada" para desvendar, só um vórtice onde o sarcasmo se autodestrói: "porco Allah" não é blasfémia, nem paródia... é só um som. Não há segundo nível, nem significado oculto.

    Talvez seja precisamente isso que nos atrai no brainrot, uma espécie de prenúncio de uma revolução que nos liberte dos fardos do raciocínio e da razão, porque é difícil pensar quando temos na cabeça uma voz mecânica que embala: tralalero tralala, tralalero tralala…

 Alexandra Lourenço 

terça-feira, 17 de junho de 2025

(In)Definição de Mãe

junho 17, 2025 0
(In)Definição de Mãe

 

 

Todos nós já fomos crianças, pequenas pessoas a correr e explorar o seguro mundo que nos rodeava. À medida que crescemos, esse mundo cresce connosco, e começamos a perceber que essa segurança era ilusão, pois estávamos constantemente rodeados de perigos, incertezas e desilusões. Isto porque o véu de inocência que nos cobria cai e permite-nos crescer. 

Mas quem é que nos embrulha carinhosamente neste véu? O véu é cuidadosamente fabricado por uma pessoa que ama incondicionalmente, a mãe. No entanto, apesar de que, num mundo ideal, toda a criança seria agraciada com uma a partir do momento do seu nascimento, atualmente, principalmente no panorama de guerra em que tantas crianças vivem, muitas não chegam a receber tal dádiva, ou perdem-na demasiado cedo.  

Se, por curiosidade, forem a um dicionário online e pesquisarem a palavra “mãe”, não obterão uma única entrada, porque não é algo que se possa definir. É imensurável, dinâmico, heterogéneo, inigualável. Assim, tal como não é possível ditar os sentimentos, não pode haver um modelo estático e limitado que imponha um conjunto de requisitos para que o mais alto e nobre título de mãe seja atribuído. 

Portanto, entrevistei diferentes mulheres que carregam orgulhosamente o estatuto de mãe e aceitaram partilhar sobre o assunto e enfatizar que nenhuma mãe é igual.


Rosa, mãe de criança com necessidades especiais


  1. Por palavras próprias, como define o amor de mãe?

O amor de mãe é aquele amor que não acreditamos ter em tanta abundância, amor este incondicional e de uma intensidade que só quem o vive e compreende sabe que é o mais lindo e verdadeiro amor que se pode experienciar. Um empoderamento que não deixa que nada seja impossível, uma  sensação de felicidade plena, uma coisa de mãe…


  1. Qual foi a principal mudança que notou a partir do momento em que descobriu que ia ser mãe?

O momento da descoberta  foi incrível e, apesar de muita coisa mudar, toda esta mudança é acompanhada pela riqueza de sentimentos e vivências que se vai tendo. Nada permanece igual após a chegada de um filho, tornando a vida mais profunda e com um sentido de responsabilidade mais refinado e um orgulho permanente em ter filhos.


  1. Como é que o diagnóstico da sua filha a mudou como mãe?

Ser mãe da Lara é muito mais... É caminhar lado a lado a ela, sem poder estar cansada, tornando-se numa luta diária para que ela consiga voar sozinha e com asas tão fortes como as do irmão mais velho e qualquer outra criança. Sou abençoada por ter encontrado profissionais únicos e excelentes que asseguraram a sua maravilhosa capacidade de conseguir voar… Amo a minha filha do mesmo modo que o irmão, mas este percurso que fiz e continuo a fazer com ela fez-me uma mãe forte e encorajada a nunca desistir.


  1. Quais as principais dificuldades em criar uma criança com necessidades especiais? E quais as maiores alegrias?

Uma criança com necessidades especiais implica uma necessidade diária de cuidados especiais. Nada é igual ao padrão habitual do crescimento de uma criança, sendo necessário resistência, coragem e muita resiliência na procura do melhor para ela. Cada vez que encontramos algo que lhe permite viver com maior qualidade de vida é a maior alegria. No entanto é preciso considerar o fator económico, porque ajuda muito ter possibilidade de pagar tratamentos extra e medicação, pois só assim é que se consegue ir mais além. 


Carmen, mãe de dois filhos


1. Por palavras próprias, como define o amor de mãe?

Amor de mãe é um sentimento difícil de descrever, é um sentimento que transcende tudo o que conheço ou conheci. Diria que é a forma mais pura de amor, é incondicional, é  como ter o coração fora do peito, um amor sem condições, sem pausas, sem medida.


2. Qual a principal mudança que notou a partir do momento em que descobriu que ia ser mãe? Alguma diferença entre a primeira e a segunda gravidez?

A partir do momento em que descobri que ia ser mãe, tudo ganhou um novo significado; percebi que teria um papel de responsabilidade para toda a vida. Aquele ser pequenino que estava a crescer dentro de mim fez-me definir prioridades, e passei a viver com um novo propósito.  

Entre a primeira e a segunda gravidez, a grande diferença foi a experiência. Na primeira gravidez, tudo é novidade e há mais receios, mais dúvidas, mais inseguranças. Na segunda, há mais confiança e mais calma, porque somos capazes de relativizar mais, mas também há o maior desafio - o de dividir atenção, tempo e energia. No entanto, o amor nunca se divide, só multiplica, sendo preciso aceitar e acolher todos os sentimentos menos bons, como a sensação de podermos estar a falhar com o mais velho. Sinto que com um segundo filho renasce também uma mãe que terá que aprender a cuidar e amar dois.


3. Qual diria ser a maior alegria de ser mãe?

Ver os meus filhos felizes, saudáveis e livres para serem o que eles quiserem. 

Mas também é sentir que, aos olhos deles, sou um universo inteiro, sentir aquele amor genuíno, puro, que não precisa de palavras. É ver cada conquista deles, por mais pequena que seja, e sentir um orgulho que transborda,  poder acompanhar o crescimento deles, dar colo nos momentos difíceis, e ser sempre o lugar onde eles sabem que podem voltar. 

Ser mãe é exigente e, por vezes, muito cansativo, mas diria que é um cansaço cheio de amor, e não o trocava por nada.


Bela, futura mãe


1. Por palavras próprias, como define o amor de mãe? 

Acredito que o amor de mãe não é apenas o colo e carinho e resguardo emocional. Por isso, acredito que o amor de mãe é o cuidado, a responsabilidade para com o filho e o ensinar a preparar para a vida adulta, a serem mais independentes, ao mesmo tempo, estando sempre presente nos altos e baixos e assegurando que a criança sabe que é amada e que terá sempre ao seu lado a mãe. Ser mãe é, acima de tudo, saber quando  deixar o seu filho voar sozinho, mas estar sempre pronta para o ajudar a levantar.


2. Quais as expectativas que tem para a chegada do bebé?

Quero que venha com muita saúde e, de preferência, sem nenhum problema físico ou doença. Mas acima de tudo, espero que consiga dar-lhe uma infância igual à minha, onde possa fazer asneiras, subir a árvores, tocar à campainha e fugir, andar por cima de muros, cair, levantar, não ter medo de nada, e ter a capacidade de resolver os seus próprios conflitos.


3. Como foi descobrir que estava grávida?

Honestamente foi um turbilhão de emoções desde felicidade, medo e êxtase, a preocupação comigo e com o bebé... Foi querer contar a toda a gente sem contar a ninguém... Uma mistura de tudo ao mesmo tempo, desde planos e sonhos, mas também muita preocupação e incerteza. 


Marta, mãe de filho único


  1. Como definiria a razão pela qual decidiu ser suficiente ter apenas um filho?

A razão pela qual tive apenas um filho foi porque tanto eu como o meu marido desejávamos muito ter uma menina. Tendo em conta que tivemos logo uma menina e que tudo correu bem no seu desenvolvimento, ficámos por aí. Ainda falámos em ter um segundo filho, mas com a vida profissional tão rigorosa, as inseguranças sobre o futuro e a sociedade tão exigente  em que vivemos, decidimos ter apenas um filho. 


Sara, mãe com filho longe 


  1. Qual o principal desafio e sentimento associado à distância?

O principal desafio é o facto de estar longe e se houver algum problema não poder ajudar. Ter um filho fora de casa faz-nos sentir desorientados, pois já somos mães há tantos anos que depois parece que ficamos sem a nossa função principal; ficamos um pouco perdidos. O sentimento é de saudade, claro, e impotência por aquilo que referi acima. Ser mãe à distância é muito difícil, temos de tentar desatar um pouco o laço emocional e continuar a viver.


As mães são quem nos permite sonhar, alcançar e cumprir os nossos objetivos. Elas guiam-nos, orientam-nos e, acima de tudo, amam-nos incondicionalmente. Vimos as diferenças entre as mães que foram entrevistadas, mas também as semelhanças. O amor de mãe é único, e infinito. Por isso, basta deixar um obrigada. Um agradecimento, por nos ensinarem a viver a cada dia.


Sara Castro

 

terça-feira, 10 de junho de 2025

Dia de Portugal: um escritor, emblema da identidade nacional

junho 10, 2025 0
Dia de Portugal: um escritor, emblema da identidade nacional


 A esmagadora maioria dos países do mundo consagra como feriado nacional a data da fundação do Estado ou do estabelecimento do regime político vigente. Contrariamente a esta tendência, Portugal, o pequenino encostado para canto da Europa, ergue-se por sua vez bem alto para celebrar a cada 10 de junho um feriado que simboliza mais do que afirmações políticas ou religiosas - uma ode a Portugal, a Camões e aos demais filhos da nação dispersos pelo mundo.


Para melhor se compreender a natureza e a profundidade simbólica desta efeméride, importa revisitar os marcos históricos referentes a esta data:

Em 1880, por ocasião do tricentenário da morte de Luís Vaz de Camões, foi proclamada como “Dia da Festa Nacional e de Grande Gala” pelo rei D. Luís I, com o propósito singular de celebrar a morte do poeta que outrora, e para sempre, colocou Portugal no mapa. Contudo, apenas a partir de 1929 passou a ser celebrada como feriado nacional.


Em 1944, sob o regime de António de Oliveira Salazar, a data foi renomeada como “Dia da Raça: a raça portuguesa ou os portugueses”, tendo como contexto a inauguração do Estádio Nacional do Jamor. Pretendia-se celebrar os Descobrimentos, a extensão colonial, as Forças Armadas e, no fundo, enaltecer o nacionalismo. O feriado sobreviveu assim a vários regimes políticos, sob a alçada do nobre simbolismo e identidade nacional que acarretava.


Com a revolta de abril e o advento da democracia, desde 1978 até à data que o 10 de junho se designa “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. A data visa, atualmente, enaltecer autores da língua portuguesa que continuam a fazer chegar a História, Cultura e Língua portuguesas a todo o mundo, sem abdicar do ambiente de júbilo partilhado entre o território nacional e a diáspora, entre demonstrações de evocação da pátria e da sua herança.


Surge, então, uma interrogação peculiar, mas inevitável: por que razão é um poeta a figura eleita como símbolo maior da nação? Quem era afinal Luís Vaz de Camões e porque perdura no panteão da memória nacional, mesmo com as mudanças dos tempos e das vontades?


As primeiras descrições literárias de Camões apresentam-no como um homem “mancebo e pobre”. Embora oriundo de linhagem fidalga, alega-se, em bom português, que o gastava mal gasto numa vida boémia, entre prostitutas e rixas, que eventualmente lhe custaram uma estadia humilde na cadeia do Tronco. Todavia, porque os valores cristãos andam sempre de mãos dadas com o Estado de Direito, o que na época se traduziria pela abençoada família real, Camões mereceu o perdão de D. João III e, com ele, uma segunda oportunidade.

Graças a este ato de indulgência régia, podemos hoje constatar a dualidade do Eu de Camões: ora o real bon vivant das tabernas, ora o lírico génio dos poemas que bebiam de Petrarca, Homero, Virgílio, Dante, entre outros dos seus pares eruditos.


Se for sonho para alguns dos nossos leitores ter conhecido Luís de Camões, sugiro que idealizem um jovem de Cascais que frequenta a Universidade Católica Portuguesa e cujo único objetivo de vida é ser alguém além das suas quatro paredes de casa. Pasmem-se: mesmo para um beto privilegiado se aplica o mote “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

E assim foi. Porque a alma de Camões de pequena tinha pouco: em apenas 8 anos após a publicação e oferta d´Os Lusíadas ao rei D. Sebastião, e num período em que as famas cresciam à velocidade de carruagens, o poeta conheceu o seu ano da libertação da Lei da Morte (1580) - com a morte, alcançou o perpétuo sonho de jamais ser esquecido pelos portugueses de então, dos que estariam por vir e do restante Mundo.


Importa, no entanto, refletir que o valor de qualquer obra é, até certo ponto, ditado pelos cânones e sensibilidades da época em que é lida. Não obstante o impacto profundo das obras de Camões ao longo dos séculos subsequentes que partilhavam ideais e pensamentos semelhantes, convenhamos que, atualmente, as mesmas não teriam tamanha valorização. Na verdade, já a partir de meados do século XIX, Portugal redirecionava o púlpito para o romantismo e realismo, com figuras como Eça de Queirós, inaugurando um novo paradigma literário, menos tributário da tradição clássica.


Assim, à luz dos critérios de cada época, viu-se em 1988 a necessidade de instituir o Prémio Camões, que visa atribuir o reconhecimento devido a um autor de língua portuguesa pelo seu contributo para o Património Literário Português. Poder-se-á entender esta homenagem como uma tentativa de reparação histórica pela ausência em igual medida de reconhecimento em vida do seu primeiro grande poeta. Por outro lado, este ato de meritocracia poderá ser visto como uma correta valorização monetária da literatura na sua expressão lusófona em Portugal, no Brasil e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).


Retomando a questão que nos trouxe aqui - e porque o leitor deverá estar com pressa para festejar o dia à moda do aclamado bon vivant - resta afirmar que, da mesma forma que Luís Vaz de Camões jamais será esquecido, também o Zé da esquina pode aspirar à imortalidade. Afinal, escreva-se sobre a nação-mãe, glórias, infortúnios, Jesus Cristo, paixões, tragédias ou artigos do Fusão, a palavra é como risco em pedra - perdura e dura.


Bruna Machado


















Referências:

  1. Matozzi M. Representações da emigração no dia 10 de Junho: dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Dois textos e uma pergunta. 2016

https://cabodostrabalhos.ces.uc.pt/n12/documentos/14_MartinaMatozzi_REV.pdf

  1. de Junho A a. I da RFP um DQDAM e. C a. P de E um D do AQR as SFT e. MLEPFM o. 10, de Abril de em H de CD o. EN e. A ao 25, da guerra colonial. A Segunda República não se revê neste feriado pelo que em M das V, de Portugal o. C em D, Portuguesas. de C e. das. 10 de Junho: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas [Internet]. Gov.pt.

https://antt.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/17/2008/10/2011-06-Dia-de-Portugal.pdf

  1. Soares MG. O feriado do 10 de junho faz hoje 110 anos. Esta é a sua história. Expresso [Internet]. 10 de junho de 2021

https://expresso.pt/sociedade/2021-06-10-O-feriado-do-10-de-junho-faz-hoje-110-anos.-Esta-e-a-sua-historia-421331ec