Todos nós já fomos crianças, pequenas pessoas a correr e explorar o seguro mundo que nos rodeava. À medida que crescemos, esse mundo cresce connosco, e começamos a perceber que essa segurança era ilusão, pois estávamos constantemente rodeados de perigos, incertezas e desilusões. Isto porque o véu de inocência que nos cobria cai e permite-nos crescer.
Mas quem é que nos embrulha carinhosamente neste véu? O véu é cuidadosamente fabricado por uma pessoa que ama incondicionalmente, a mãe. No entanto, apesar de que, num mundo ideal, toda a criança seria agraciada com uma a partir do momento do seu nascimento, atualmente, principalmente no panorama de guerra em que tantas crianças vivem, muitas não chegam a receber tal dádiva, ou perdem-na demasiado cedo.
Se, por curiosidade, forem a um dicionário online e pesquisarem a palavra “mãe”, não obterão uma única entrada, porque não é algo que se possa definir. É imensurável, dinâmico, heterogéneo, inigualável. Assim, tal como não é possível ditar os sentimentos, não pode haver um modelo estático e limitado que imponha um conjunto de requisitos para que o mais alto e nobre título de mãe seja atribuído.
Portanto, entrevistei diferentes mulheres que carregam orgulhosamente o estatuto de mãe e aceitaram partilhar sobre o assunto e enfatizar que nenhuma mãe é igual.
Rosa, mãe de criança com necessidades especiais
Por palavras próprias, como define o amor de mãe?
O amor de mãe é aquele amor que não acreditamos ter em tanta abundância, amor este incondicional e de uma intensidade que só quem o vive e compreende sabe que é o mais lindo e verdadeiro amor que se pode experienciar. Um empoderamento que não deixa que nada seja impossível, uma sensação de felicidade plena, uma coisa de mãe…
Qual foi a principal mudança que notou a partir do momento em que descobriu que ia ser mãe?
O momento da descoberta foi incrível e, apesar de muita coisa mudar, toda esta mudança é acompanhada pela riqueza de sentimentos e vivências que se vai tendo. Nada permanece igual após a chegada de um filho, tornando a vida mais profunda e com um sentido de responsabilidade mais refinado e um orgulho permanente em ter filhos.
Como é que o diagnóstico da sua filha a mudou como mãe?
Ser mãe da Lara é muito mais... É caminhar lado a lado a ela, sem poder estar cansada, tornando-se numa luta diária para que ela consiga voar sozinha e com asas tão fortes como as do irmão mais velho e qualquer outra criança. Sou abençoada por ter encontrado profissionais únicos e excelentes que asseguraram a sua maravilhosa capacidade de conseguir voar… Amo a minha filha do mesmo modo que o irmão, mas este percurso que fiz e continuo a fazer com ela fez-me uma mãe forte e encorajada a nunca desistir.
Quais as principais dificuldades em criar uma criança com necessidades especiais? E quais as maiores alegrias?
Uma criança com necessidades especiais implica uma necessidade diária de cuidados especiais. Nada é igual ao padrão habitual do crescimento de uma criança, sendo necessário resistência, coragem e muita resiliência na procura do melhor para ela. Cada vez que encontramos algo que lhe permite viver com maior qualidade de vida é a maior alegria. No entanto é preciso considerar o fator económico, porque ajuda muito ter possibilidade de pagar tratamentos extra e medicação, pois só assim é que se consegue ir mais além.
Carmen, mãe de dois filhos
1. Por palavras próprias, como define o amor de mãe?
Amor de mãe é um sentimento difícil de descrever, é um sentimento que transcende tudo o que conheço ou conheci. Diria que é a forma mais pura de amor, é incondicional, é como ter o coração fora do peito, um amor sem condições, sem pausas, sem medida.
2. Qual a principal mudança que notou a partir do momento em que descobriu que ia ser mãe? Alguma diferença entre a primeira e a segunda gravidez?
A partir do momento em que descobri que ia ser mãe, tudo ganhou um novo significado; percebi que teria um papel de responsabilidade para toda a vida. Aquele ser pequenino que estava a crescer dentro de mim fez-me definir prioridades, e passei a viver com um novo propósito.
Entre a primeira e a segunda gravidez, a grande diferença foi a experiência. Na primeira gravidez, tudo é novidade e há mais receios, mais dúvidas, mais inseguranças. Na segunda, há mais confiança e mais calma, porque somos capazes de relativizar mais, mas também há o maior desafio - o de dividir atenção, tempo e energia. No entanto, o amor nunca se divide, só multiplica, sendo preciso aceitar e acolher todos os sentimentos menos bons, como a sensação de podermos estar a falhar com o mais velho. Sinto que com um segundo filho renasce também uma mãe que terá que aprender a cuidar e amar dois.
3. Qual diria ser a maior alegria de ser mãe?
Ver os meus filhos felizes, saudáveis e livres para serem o que eles quiserem.
Mas também é sentir que, aos olhos deles, sou um universo inteiro, sentir aquele amor genuíno, puro, que não precisa de palavras. É ver cada conquista deles, por mais pequena que seja, e sentir um orgulho que transborda, poder acompanhar o crescimento deles, dar colo nos momentos difíceis, e ser sempre o lugar onde eles sabem que podem voltar.
Ser mãe é exigente e, por vezes, muito cansativo, mas diria que é um cansaço cheio de amor, e não o trocava por nada.
Bela, futura mãe
1. Por palavras próprias, como define o amor de mãe?
Acredito que o amor de mãe não é apenas o colo e carinho e resguardo emocional. Por isso, acredito que o amor de mãe é o cuidado, a responsabilidade para com o filho e o ensinar a preparar para a vida adulta, a serem mais independentes, ao mesmo tempo, estando sempre presente nos altos e baixos e assegurando que a criança sabe que é amada e que terá sempre ao seu lado a mãe. Ser mãe é, acima de tudo, saber quando deixar o seu filho voar sozinho, mas estar sempre pronta para o ajudar a levantar.
2. Quais as expectativas que tem para a chegada do bebé?
Quero que venha com muita saúde e, de preferência, sem nenhum problema físico ou doença. Mas acima de tudo, espero que consiga dar-lhe uma infância igual à minha, onde possa fazer asneiras, subir a árvores, tocar à campainha e fugir, andar por cima de muros, cair, levantar, não ter medo de nada, e ter a capacidade de resolver os seus próprios conflitos.
3. Como foi descobrir que estava grávida?
Honestamente foi um turbilhão de emoções desde felicidade, medo e êxtase, a preocupação comigo e com o bebé... Foi querer contar a toda a gente sem contar a ninguém... Uma mistura de tudo ao mesmo tempo, desde planos e sonhos, mas também muita preocupação e incerteza.
Marta, mãe de filho único
Como definiria a razão pela qual decidiu ser suficiente ter apenas um filho?
A razão pela qual tive apenas um filho foi porque tanto eu como o meu marido desejávamos muito ter uma menina. Tendo em conta que tivemos logo uma menina e que tudo correu bem no seu desenvolvimento, ficámos por aí. Ainda falámos em ter um segundo filho, mas com a vida profissional tão rigorosa, as inseguranças sobre o futuro e a sociedade tão exigente em que vivemos, decidimos ter apenas um filho.
Sara, mãe com filho longe
Qual o principal desafio e sentimento associado à distância?
O principal desafio é o facto de estar longe e se houver algum problema não poder ajudar. Ter um filho fora de casa faz-nos sentir desorientados, pois já somos mães há tantos anos que depois parece que ficamos sem a nossa função principal; ficamos um pouco perdidos. O sentimento é de saudade, claro, e impotência por aquilo que referi acima. Ser mãe à distância é muito difícil, temos de tentar desatar um pouco o laço emocional e continuar a viver.
As mães são quem nos permite sonhar, alcançar e cumprir os nossos objetivos. Elas guiam-nos, orientam-nos e, acima de tudo, amam-nos incondicionalmente. Vimos as diferenças entre as mães que foram entrevistadas, mas também as semelhanças. O amor de mãe é único, e infinito. Por isso, basta deixar um obrigada. Um agradecimento, por nos ensinarem a viver a cada dia.
Sara Castro

Sem comentários:
Enviar um comentário