3 ... 2 ... 1 … Feliz Ano Novo! E entramos em 2026 a comer as tradicionais 12 uvas e com várias resoluções para que o novo ano seja melhor que o que passou. Mas o decorrer de uns minutos não apaga tudo o que se passou, os momentos infelizes, as guerras e as atrocidades do ano anterior. No entanto, entre abraços, foguetes e uvas, o ambiente é de mudança, e que para a frente é só positividade.
Contudo, chega o segundo de janeiro, onde a roupa velha já acabou e são poucos os restos dos doces tradicionais no frigorífico, e começa-se a ouvir: “Ai, janeiro é o mês que mais demora a passar… Nunca mais acaba”. Mas, mesmo assim, sente-se ainda a emoção de alcançar o que se desejou e se acordou com as uvas.
Agora, o mês que não se lhe via o fim terminou. E é aí que começamos a pensar se de facto algo verdadeiramente se alterou, e se alguma das nossas promessas secretas que contamos às uvas foi já cumprida ou sequer iniciada, ou mesmo se o será no futuro. Mas aqui, agora, pensamos numa ordem mais individualista como as resoluções mais comuns como, por exemplo, de ir mais vezes ao ginásio, reduzir o tempo de ecrã, entre tantas outras. Porém, a novidade do novo ano terminou e com ela cai o véu que amenizava os acontecimentos do ano que passou, e percebemos que mantemos a mesma rotina acelerada e centrada no “eu” e as mudanças que explicamos às uvas que iriamos implementar ainda andam perdidas entre o espaço vazio que separa a ideia da ação.
E é com esta perceção de que janeiro termina como um mês “fracassado”, mas tal como o passar de uns pequenos segundos ao mudar o ano não apaga o que passou, não são os primeiros 31 dias que definem a impossibilidade de cumprir o que se projetou nas uvas. Afinal, as resoluções baseiam-se em hábitos, e hábitos demoram tempo a ser adquiridos ou mudados. É aqui que se devem fazer as questões mais importantes: “O que é que quero mesmo mudar? Quem quero ser?” São as respostas a estas perguntas que quando descobertas nos conduzem e nos motivam e, infelizmente, não são perguntas tipo PEM às quais se tivéssemos sorte encontraríamos a resposta na compilação do ano anterior. São perguntas cuja resposta não é direta, está dentro de nós e cabe a cada um revelá-la. “Quem sou eu agora, e quem quero ser no futuro?” seguindo esta reflexão, viveremos consoante os princípios que queremos que nos definam, tomaremos decisões com base nas crenças que nos pertencem e tudo isto levará, se bem feito, às verdadeiras resoluções que devíamos ter falado às uvas. E todas as promessas supérfluas que repetem ano após ano e não contribuem para a nossa realização pessoal perderão a sua importância.
Assim, com janeiro terminado, são onze os meses em que ainda podemos encontrar as respostas a estas perguntas e descobrir a verdadeira mudança que queremos ver em nós. Resoluções não são só no ano novo, nem estão vinculadas às uvas. Podem surgir agora, e com as respostas que encontramos em nós, e com o passar do tempo alcançaremos cada vez mais aquilo que verdadeiramente desejamos para nós e para o mundo em que vivemos.
Sara Castro e Margarida Reis


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