Hora do Fusão: A nova moda dos painéis solares - Fusão

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Hora do Fusão: A nova moda dos painéis solares

 



Portugal é um dos países da União Europeia com maior exposição solar. Nos últimos anos, este facto tem vindo a ser cada vez mais explorado, mas será que a forma como tal tem vindo a ocorrer é correta?
Recentemente, ocorreu uma troca de e-mails entre vários membros da FCS que abordava este mesmo tema. Quando chegamos à faculdade que tão bem conhecemos, as árvores trazem frescura, sombra e, de modo geral, aumentam o bem-estar. É irónico que os painéis sejam colocados para “reduzir os custos de energia”, “diminuir as emissões de CO2” e “garantir zonas de sombra para as viaturas” quando estas duas últimas funções são, também, cumpridas pelas árvores, ainda que em menor escala. Apesar das emissões de CO2 serem efetivamente reduzidas, era mesmo necessário o abate de árvores naquele local? Os painéis não poderiam ser instalados em qualquer outro sítio? A FCS apresenta vários espaços sem árvores e amplos, pelo que a escolha parece ter sido algo apressada. Adicionalmente, todos os frágeis ecossistemas que tanto tempo demoram a aparecer nas áreas verdes são destruídos com uma enorme facilidade.
No entanto, foram plantadas 53 novas árvores na FCS, nomeadamente espécies autóctones, (amendoeiras, carvalhos-negrais, carvalhos-alvarinhos, vidoeiros, tramazeiras e teixos). Desta forma, com um investimento superior a 2,3 milhões de euros, 1.323 painéis fotovoltaicos serão colocados até dezembro.[1] Com um financiamento total englobado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – Programa de Eficiência Energética em Edifícios da Administração Pública Central, a UBI afirma que “vai economizar cerca de 60% do consumo de eletricidade da Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) e reduzir a pegada carbónica.”
No passado dia 06/09/2024 ocorreu a 2ª Sessão de apresentação do projeto “Instalação de UPAC com sistema de armazenamento na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI”. No entanto, as aulas apenas começaram a 9, pelo que muitas das pessoas interessadas pelo tema não tiveram oportunidade de assistir à sessão. Seria esclarecedor se tivesse sido produzido algum material acerca dos pontos abordados, nomeadamente o motivo pelo qual foi necessário abater árvores tão velhas em prol de tecnologia que talvez pudesse estar disponível no telhado da faculdade, ou em qualquer outro sítio.
Uma das pessoas envolvidas na troca de e-mails concordou em falar connosco e ofereceu a seguinte explicação: “o projeto é benéfico no ponto de vista de gastos energéticos e foram plantadas X árvores para compensar as abatidas... das quais algumas já têm vindo a secar. Acredito que a instalação de painéis é mais relevante a nível empresarial que ambiental. O telhado da FCS tem espaço para instalar uma rede de painéis solares. É, ainda, um espaço que não prejudicaria o ambiente, as árvores adultas e o bem-estar dos alunos... que agora chegarão à faculdade com um estacionamento cheio de painéis solares, em vez do aspeto natural característico da FCS que a distinguia de tantas outras faculdades. A diminuição de espaços verdes frequentados por alunos, docentes, funcionários, entre outros, não deve ser ignorada em prol da rentabilidade empresarial.” 

Concluindo, esta situação em baixa escala pode não parecer preocupante e, obviamente, trará benefícios ao nível de energia limpa. Mas não podemos esquecer-nos de que florestas inteiras são arrasadas em prol de hordas de painéis. Cada ecossistema deve ser preservado ao máximo, independentemente do seu tamanho, e tal deveria ter-se mais em conta aquando do abate de árvores, especialmente daquelas mais velhas que nós.


Artigo por: Margarida Reis


[1] https://www.ubi.pt/Noticia/7759

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