Safeer Mehmood (S.) e Waseem Ahmad (W.), ambos de 20 anos, vivem e estudam medicina em Portugal há cerca de ano e meio. Em busca de melhores condições, tiveram de abandonar o seu país e partir para a Ucrânia, onde terão iniciado os seus estudos em medicina. Contudo, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, foram obrigados novamente a mudar de país.
Deixam-nos assim o seu testemunho sobre como tem sido viver em Portugal, e como tem sido a sua experiência como estudantes de medicina na Covilhã.
Há quanto tempo estão em Portugal? Sentem-se adaptados à nossa cultura?
S.: Estou a viver em Portugal há quase um ano e quatro meses. Parece já muito tempo, mas a verdade é que para mim parecem ter passado apenas duas horas. Quanto à adaptação à cultura e civilização daqui, considero como se fosse um exemplo de destino: o tempo é como um caminho e eu sou o viajante que anda sobre ele.
W.: Estou em Portugal há um ano e meio. No início foi difícil a adaptação a uma cultura diferente, mas com o passar do tempo consegui adaptar-me.
Sentem que foram integrados na Universidade da melhor forma possível? O que podia ter sido feito de melhor forma?
S.: Quanto à integração na UBI, não há dúvidas de que tive sorte de estar aqui inscrito. Na minha opinião foi feito tudo o possível para me integrar da melhor forma. Proporcionaram várias oportunidades que tornaram a minha vida mais fácil e eficiente na aprendizagem da medicina. Em relação a melhorias que podiam ter sido feitas para melhor integração, devemos lembrar que há sempre espaço para melhorar, mesmo quando tudo parece estar na perfeição.
W.: Sim, a Universidade integrou-nos da melhor forma possível e proporcionou-nos uma grande oportunidade de retomarmos os nossos estudos.
Estando longe do vosso país, e numa situação delicada, sentem que Portugal vos dá apoio suficiente?
S.: Portugal foi um dos países que mais se demonstrou cooperante a proporcionar apoio a estrangeiros e refugiados. Como estudante de medicina, o meu principal objetivo é terminar o curso. Segundo consta, Portugal é o único país da União Europeia que permitiu a admissão de estudantes de medicina deslocados vindos da Ucrânia, assim como as crianças tiveram acesso ao sistema de educação. Portugal não só autorizou as admissões como ofereceu bolsas e outros apoios essenciais e básicos para viver. Neste sentido, apesar de longe do meu país e numa situação delicada, Portugal forneceu o apoio necessário.
W.: Claro, sinto que Portugal proporcionou apoio em todas as situações e momentos necessários, e estou grato por nos ter proporcionado esse tipo de apoio.
Foi difícil a adaptação ao nosso método de ensino? De que difere mais comparando ao vosso país?
S.: Para ser honesto, no princípio foi difícil a adaptação aos métodos de ensino da FCS-UBI, mas mais tarde, acabou por ser o oposto. Considero estes métodos como um modelo-padrão no sentido da eficiência, efetividade e eficácia. Fazendo uma analogia com o meu país, a maior diferença está na organização do sistema, por exemplo, o sistema trimestral e semestral.
W.: Sim, no início foi difícil a adaptação, mas os professores ajudaram-nos e com o tempo adaptamo-nos ao método de ensino. Há muita coisa que difere do meu país, como o plano curricular, a língua, etc.
Esperam um dia poder exercer medicina no Paquistão?
S.: Esta questão é das mais importantes que se deve colocar, e não aos estrangeiros, mas aos portugueses, com algumas alterações no enquadramento da questão. Eu gostava de exercer medicina em Portugal. Portugal permitiu-me estudar medicina e proporcionou-me muito mais por forma a viver uma vida saudável e confortável. Assim, é meu dever de servir este país, pois é a minha segunda casa. Não importa quanto tempo, mas aquele que considerar correto. Já pensámos por que é que há falta de médicos em Portugal? Porque não há reconhecimento dos direitos e deveres que temos sob o nosso país. Assim, a mesma questão se coloca aos portugueses: por que é que deixam Portugal depois de terminar o curso? Como resultado, Portugal enfrenta um problema no sistema de saúde.
W.: Sim, espero não só poder exercer no meu país como em qualquer outro lugar.
Alguma vez se sentiram discriminados por um colega/professor?
S.: Nunca me senti discriminado por um colega ou professor, aliás, demonstraram muito respeito. São afetuosos e mostram dignidade. Ajudaram-me na aprendizagem da língua e na integração da cultura. Considero os portugueses o povo mais simpático de sempre na Europa.
W.: Não, os professores e colegas são todos descontraídos e atenciosos e todos me tratam como se já fizesse parte do grupo.
Com estes dois testemunhos, entendemos a importância da integração e cooperação com aqueles que se encontram mais fragilizados e que se encontram em situações delicadas e das quais são vítimas. É importante não esquecer que hoje ajudamos o outro, mas amanhã podemos ser nós a precisar dela.
[Adaptado]
