Nos dias de hoje, em que há cada vez mais manifestações e apelo para a expressão de ideias, continuamos presos por trás das grades do silêncio e, apesar de estarmos munidos da chave para a liberdade, ninguém se digna a usá-la.
Como classificariam o silêncio? Como explicariam a alguém este conceito? Alguma vez pensaram que o silêncio é apenas positivo? Desde pequenos é nos ensinado a não falar nas aulas, que o silêncio é bom. Mas será isto sempre verdadeiro? Deve uma vítima de bullying ficar calada e a ver outras pessoas sofrerem? Deve alguém ignorar os sinais de depressão no amigo, embora já os tenha experienciado no passado? Devemos aceitar os limites que a sociedade nos impõe? Devemo-nos contentar com o presente, em vez de lutarmos por um futuro melhor?
Não, devemo-nos orgulhar de todas as batalhas travadas, quer tenhamos saído vitoriosos ou não, devemos partilhar as nossas histórias, porque não somos fracos: somos sobreviventes.
As histórias servem para ser contadas, temos de revelar as nossas paixões e opiniões, e que outro melhor momento que o presente para o fazer? Todos os dias nos deparamos com histórias de violência, mas o que me causa mais alarme é a persistência do silêncio em cada uma delas. É a tradição do silêncio em que vivemos, que insiste em que estas histórias continuem a existir e a aumentar.
Olhando um pouco para o passado, é possível estabelecer que o silêncio nunca ajudou ninguém e apenas permite que o círculo vicioso continue. Se as histórias não forem contadas, serão esquecidas e o futuro não conseguirá aprender com o passado.
Silêncio é dor. Silêncio é morte, porque quando suprimimos a nossa história e enterramos a nossa dor, perdemos um pouco de nós a cada dia que passa e deixamos outros desaparecer pela mesma causa.
No entanto, é normal sentir medo em quebrar o silêncio e, muitas vezes, temos de escolher certas batalhas de todas as que lutamos diariamente. Mas se começares a pensar no que gostarias de dizer, já é um passo para que um dia o faças. A nossa situação não irá mudar até que comecemos a quebrar os pequenos silêncios que nos rodeiam e que sufocam o nosso pensamento livre.
Sara Castro


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