maio 2024 - Fusão

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Eleições Europeias: Mas afinal o que é que isso importa?

maio 30, 2024 0
Eleições Europeias: Mas afinal o que é que isso importa?

          


            

Na vida de uma pessoa há questões que nos tiram o sono. Todos nós já tivemos uma insónia que nos faz questionar assuntos sem resposta. “Qual o sentido existencial da vida?”, “Qual a probabilidade de ganhar o Euromilhões mesmo sem nunca ter jogado?” ou até mesmo, “Qual a desculpa que vou inventar aos meus pais para serem 23h58 de um domingo e me ter lembrado só agora que precisava de comprar uma cartolina para a aula de EV do 6º ano?”. A cada 5 anos, milhares de portugueses têm este tipo de insónia sobre as eleições europeias. Mas será que esta é uma das questões que não tem resposta? Diria que não.

Aqueles que, durante a insónia das europeias, decidem pesquisar um pouco sobre o assunto, chegam à conclusão que “As eleições na União Europeia ocorrem a cada cinco anos por sufrágio universal” e que “Os eurodeputados são eleitos para o Parlamento Europeu, que é eleito diretamente desde 1979.”. Pelo menos é isto que a wikipedia, uma das maiores fontes de informação (e desinformação) do mundo,  nos explica sobre o assunto.  

A verdade é que para perceber as Eleições Europeias temos de estudar um pouco sobre a União Europeia (UE) e conhecer a existência do Conselho Europeu e da Comissão Europeia. Passando a explicar sucintamente: a União Europeia é, por definição, uma união económica e política de 27 Estados-membros independentes. Já o Conselho Europeu é uma instituição da União Europeia de carácter eminentemente político composta pelos Chefes de Estado ou do Governo dos países membros da UE, pelo Presidente da Comissão Europeia e pelo Presidente do Conselho Europeu, que preside às reuniões. Em Portugal, somos representados em sede de Conselho Europeu pelo nosso Primeiro-Ministro, ou seja, atualmente, pelo Dr. Luís Montenegro. Já a Comissão Europeia é composta por 27 comissários, que, em conjunto, decidem sobre as estratégias e as prioridades políticas da Comissão. De 5 em 5 anos são nomeados novos comissários. Por fim, existe ainda o Parlamento Europeu, composto pelos eurodeputados eleitos em seio de eleições nacionais de cada país, vulgo, Eleições Europeias. O parlamento atua como co-legislador, partilhando com o Conselho o poder de aprovar e alterar as propostas legislativas e de decidir em matéria de orçamento da União Europeia.

Resumindo, a Comissão Europeia sugere as leis da União Europeia e o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia debatem-nas, decidindo se querem que elas sejam adotadas na Europa.

Segundo um tal de Tratado de Lisboa (sim de Lisboa), Portugal tem 21 eurodeputados, sendo este número proporcional ao número de habitantes do nosso país. Existem, no total, 705 eurodeputados, (sim 705, é muita gente), sendo que, como devem prever, os países com maiores números de eurodeputados são a Alemanha, a França e a Itália.  

É basicamente assim que funciona a União Europeia, com mais uns pormenores à mistura mas, se esperavas que eu te dissesse em qual partido votar, não vai acontecer. Tal como em qualquer eleição, a única maneira de decidires o teu sentido de voto é informares-te sobre os planos de candidatura de cada partido político. Porém, uma coisa que é importante perceber, por ser diferente das mais recentes eleições legislativas, é que, ao contrário destas, Portugal funciona como 1 único distrito eleitoral, pelo que, a questão do voto útil em distritos eleitorais mais pequenos, não se aplica a estas eleições, por isso, mais do que nunca, deves informar-te do que defende cada partido candidato. 


Assim, como o método D'Hondt (sim, a distribuição por círculos eleitorais tem um nome) não se aplica, importa estar atento às ideias que pululam nos vários debates, ou, caso sejas mais um “terra a terra”, quase de certeza que, entre a Feira de Enchidos e Queijo e o Festival Gastronómico de Sardinhas, poderás encontrar uma caravana de um candidato qualquer. Com sorte, ainda poderás ganhar uma caneta e um bloco de notas! Agora fora de brincadeiras: segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, nas últimas eleições europeias de 2019, apenas houve uma adesão às urnas de 30,73%, tendo votado 3 314 423 pessoas num total de 10 786 049 inscritos. 

Num mundo onde intensos conflitos armados e tensões geopolíticas são frequentes, torna-se prudente que a União Europeia seja capaz de compreender que, realmente, tem um papel crucial na paz e na estabilidade global e, talvez, perceber que já será hora de adotar uma política externa que lhe permita alcançar um dos lugares dos ditos grandes (EUA e China). A grande influência dos EUA muitas vezes leva a que a União Europeia pense e atue de uma forma leviana sobre diversos assuntos, nomeadamente em termos de defesa própria, ficando simplesmente à espera que nos "protejam". Não será de todo essa a postura a tomar num mundo em constante evolução!

Daí, enche-se da máxima importância que cada um de nós se informe, se esclareça e, que no fim, vote. Com uma posição geográfica estratégica e com a união de 27 Estados Membros, não podemos negligenciar o nosso futuro, o futuro da Europa. Para além dos discursos extremistas e fundamentalistas, de qualquer quadrante político, talvez afastemo-nos também daquela típica frase: “Vão para Bruxelas porque querem tacho!”, pois “o fervor com que se tenta travar o ímpeto daqueles que pretendem fazer diferente e melhor, só é comparável com a inveja que alimenta os medíocres e os incapazes e os une entre si contra o Mundo”.


Renato Martins e Guilherme Fernandes



Referências:
-Secretaria-Geral da Administração Interna
-Website do Parlamento Europeu e da União Europeia

sábado, 18 de maio de 2024

Hora do Fusão: Manel Cruz no TMC

maio 18, 2024 0
Hora do Fusão: Manel Cruz no TMC

 

Amar devagar - Sobre um concerto de Manel Cruz

Os momentos antes de um espetáculo, são dos de maior reflexão para quem visita estas curiosas salas de concertos, de dança ou teatro. Aqui, lembramo-nos de memórias, que nunca teríamos num outro local, ou num outro momento do dia. Memórias curtas e fugazes de amores ou de momentos perdidos, que surgem em nós quase como uma Borboleta – “se eu largar, eu sinto a sua falta / se eu a agarro, ela perde a sua cor”.

Talvez não nos conheçamos. Talvez sejamos eternos estranhos numa cidade perdida. Apesar dos caminhos diferentes, saberemos sempre que partilhámos uma hora das nossas vidas, tão corridas e cheias de horários e condicionalismos, a escutar reflexões e visões na forma de contrapontos e versos. 

Em palco, uma guitarra espera. Ao seu lado, um baixo, uma harmónica, e a possibilidade de um cavaquinho, com uma sonoridade tão imensa. 

Depois dos pensamentos correrem como chuva numa tarde de Domingo, - talvez tenha pensado naquele capítulo que ainda não estudei e que ficou esquecido em cima da mesa, ou na mera casualidade com que consegui bilhete para o vocalista de “O Monstro Precisa de Amigos”, a verdade é que já não sei - entra então, devagar, e sob a luz, a quem pede para fazer o mundo existir, Manuel Cruz. Talvez muitos não conheçam e se perguntem – Manel, mas qual Manel? Manel, o dos Ornatos Violeta, como o próprio se refere em sorridente nostalgia. 

O concerto começou com o tema O Céu Aqui, como que a levantar o véu-enigma do restante reportório. Entre as canções, vão surgindo algumas reflexões, porque as palavras são teimosas, e querem sempre ser ditas e surgir no mundo das interrogações. Talvez o silêncio não seja perene ou insatisfatório. Talvez seja mesmo necessário para nos podermos encontrar no caos. E aqui, o cantautor pensa em voz alta sobre o lugar do mundo atual.  Entram consigo em palco as lembranças, contadas e cantadas entre os acordes consonantes com as palavras que nos diz. Manel fala de um filme que viu em adolescente, e da atriz, que reconheceu anos mais tarde num documentário. Talvez o seu rosto envelhecido, a marcar o passar do tempo tenha causado em si desconcerto, ou talvez a interrogação de uma vida que não acompanhou, que não conheceu, mas que se cruzou com a sua por breves momentos, tenha tornado premente a composição deste seu tema, dedicado a ela, Ginger Lynn

Temas do seu projeto Foge Foge Bandido, ou de uma outra composição, bem conhecida pelos fãs que enchem a sala de aplausos entusiastas, essa que relata as dores de um romântico incurável, fizeram-se ecoar na bonita sala do Teatro Municipal da Covilhã. 

Rapidamente, corremos até ao final da noite. Podemos dizer que o tempo parou, quando se fez escutar o tema Devagar, criação dos Ornatos. Uma exaltação de um vazio, ou de uma ausência, essa, que só a música pode preencher – “Eu sei / Não vejo a luz em mim / Tão pouco em mais alguém / Só quis tocar o céu / Não quero mal a ninguém”. 

O tempo passa, essa é uma das únicas certezas que alguma vez teremos. Mas talvez ali, o relógio tenha parado sobre os acordes de uma guitarra, e de uma voz que não cala o que há muito ficou por dizer. Momentos como estes são tão urgentes, momentos  que nos fazem parar esta dança infinita no espaço rítmico das nossas rotinas. 

Talvez vivamos numa sociedade do plástico, do descartável, do impermanente. Onde queremos (quase) tudo para o imediato, num modo automático, quase como se achássemos que a memória é eterna, e todas as músicas que ouvimos em concerto são versões repetidas dos álbuns gravados em estúdios, rádios, e cassetes-pirata. 

Uma sociedade do caos ou do irremediável medo do imperfeito. Em oposição, a arte veio-nos mais uma vez dizer para pararmos, e escutarmos o que se passa à nossa volta. Para nos lembrar que, - ao contrário do que os peritos possam afirmar, - como pessoas, afinal, tão longe estamos de ser máquinas. Porque a arte, tal como o amor, prevalece sempre no caos. 

Um concerto para uma sala cheia, mas tão pessoal e intimista, como se tivéssemos ido passear pela cidade, parado para um café, e ficado a ver as luzes nas Portas do Sol, à espera de um momento. Porque a música é também contadora de histórias, e deixa o final em aberto, para cada um completar, no seu retorno. No seu regresso ao imenso mundo - esse, dentro de cada um de nós. 


Eu sei
Diz-te a canção do medo
Vê-se um dia o tempo não vos traz
Mas perde a noção do tempo
Quando eu amo é sempre devagar” 

Ornatos Violeta, Devagar


Por Alice M. Pereira



terça-feira, 7 de maio de 2024

Hora do Fusão: FCS-CUP

maio 07, 2024 0
Hora do Fusão: FCS-CUP

 






Numa terra muito, muito distante, onde o céu está mais próximo e a FCS-UBI é só um ponto no horizonte, um troféu divino aguardava. Mas não sem desafios e tribulações - o Departamento Desportivo e Recreativo do MedUBI deixou provações no caminho das campeãs e campeões que o quisessem alcançar. Disputas ardentes de espírito desportivo. Sangue e suor. Garra. Que prémio era este? Um baú de moedas de ouro? Um ano de propinas pagas? Glória eterna? Melhor ainda, caro leitor. Pulseiras para a Febrada


Nos passados dias 22 e 23 de abril a competição desportiva teve lugar nos pavilhões do Departamento de Ciências do Desporto da UBI. Contudo, não te deixes enganar pela localização distante escolhida para albergar esta liga de Basquetebol e Voleibol, pois apenas se aceitaram participantes ingressados nos poucos cursos da FCS. Ainda assim, sabe-se que existiu margem de exceção para os fantasmas do prédio abandonado do Sócrates ali ao lado, a Torre de Santo António, que facilmente arranjaram forma de dar uns dribles e uns passes behind the back. Independentemente, as estrelas atléticas das ciências da saúde dominaram os campos. Na verdade não se pode dizer que foram todos os campos, visto que o de futsal, que teria sido ocupado nos dias 15 e 16, ficou a apanhar pó. Fica a questão de saber se se tratou de uma falta de talento ou de coragem por parte dos nossos colegas.


Às 14h do primeiro dia, o colidir da bola laranja no chão e o chiar de sapatilhas em aquecimento já enchiam o edifício. As largas janelas permitiam a luz primaveril iluminar o chão brilhante, os cestos e balizas, as paredes recém pintadas e as linhas delimitadoras de diferentes modalidades - a vitalidade deste espaço engrandece o abandono sentido nos campos ao ar livre no polo III. O torneio de LeBron James decidiu-se entre a FBC, a Warriors Team e os Espama. Estas 3 equipas revezaram-se entre si, até se determinar que, pelas vitórias obtidas, estas últimas duas mereciam discutir a final. Fervorosamente, a estratégia dos Espama prevaleceu, assegurando a sua lustre vitória, ainda que não tenham conseguido explicar a etiologia do seu nome às nossas repórteres do Fusão, como certamente gostariam de ter feito. O que será que espamam eles? Nunca saberemos. Mas funcionou.


Se o dia de Basket foi pautado por masculinidade assoberbante de nove homens competitivos, o de Vólei vibrou numa multidão de equipas mistas. O silêncio das bancadas vazias pertenciam apenas à realidade, pois a energia onírica que pairava no ar enchia o pavilhão de gritos e cânticos de apoio pelos atletas, que bem o mereciam. Reuniram-se aqui seis equipas pelo torneio de emoções e patadas na bola voadora. Fala-se, portanto, dos Veteranos, das 360, dos Biomiguxos, da Metrópole Voleiboleira, das Aposentadas e dos 3 Rodinhas. Inicialmente, arrancou-se com uma fase de grupos aleatoriamente distribuídos e não poderiam estar mais equilibradas. De certo modo foram todos vencedores, como se costuma dizer, mas a verdadeira jóia desta tarde foi a final discutida entre as 360 e os 3 Rodinhas. Nesse momento, a realidade deixou de precisar de um embelezamento imaginativo, já que todas as atenções estavam viradas para este grupo de uma futura médica e 2 futuras farmacêuticas contra 3 futuros médicos. Não é hiperbólico dizer que isto poderia ter proporções bíblicas de competição no ambiente da faculdade que une estes cursos. O Marcador de Pontos girava e girava 360, os serviços femininos arrasavam e arrasavam, os spikes masculinos acertavam e acertavam. É certo que algo épico se desenrolava: as equipas estavam em total harmonia e foco, os jogadores que agora repousavam encontravam-se em transe e as tensões não paravam de subir, o que não é nada bonito de se dizer de futuros profissionais de saúde que sabem o problema que é a hipertensão arterial em Portugal. Finalmente, numa luta de números e reviravoltas ao longo deste jogo, a brilhante taça foi para os talentosos 3 Rodinhas, que, com certeza, temeram a derrota em algum momento, enfrentados pelo poder bruto e coesão admirável das suas oponentes.


Sabias que a Rosa Mota tem asma? Ou que o Papa João Paulo II foi guarda-redes? E que a eritropoiese aumenta ao praticar desporto, especialmente em altitudes acima do Pelourinho da Covilhã? Tinhas noção que existem na FCS-UBI atletas dotados, dedicados, investidos e capazes de se organizarem perto do MedUBI? No próximo Ponto de Situação a sair brevemente no nosso Instagram, as repórteres do Fusão demonstraram saber isto tudo, e muito mais… Fica de olho aberto para os próximos eventos na nossa cidade e núcleo, porque nunca sabes quando é que é Hora do Fusão!


Tiago Ramos