Erasmus e a FCS-UBI - Fusão

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Erasmus e a FCS-UBI


Acredito que todo o ser humano possui dentro de si um bichinho que o incentiva a viajar e a descobrir coisas novas em locais diferentes. Enquanto estudantes universitários é-nos apresentada uma oportunidade de saciar esse bichinho através de Erasmus. No entanto, acho que em medicina estes são muito pouco divulgados, havendo muitas dúvidas por parte dos alunos, desmotivando muitas vezes a participação dos mesmos. Assim, viajei pelos corredores da Faculdade de Ciências da Saúde à procura de jovens estudantes que se aventuraram e seguiram viagem neste processo de Erasmus. Assim, entrevistou-se um aluno da FCS-UBI que realizou Erasmus em Pavia, Itália, no primeiro semestre do 4º ano, Diogo Bodião, Martina Ciccone, estudante de medicina na  University of L’Aquila em Itália que realizou ERASMUS na FCS-UBI no primeiro semestre do seu sexto ano e Francisco Camus Revuelta, estudante medicina na Universidade de Cantábria em Espanha que realizou ERASMUS na FCS-UBI no seu quinto ano.


  1. Como foi a receção no país onde realizaste Erasmus?

Diogo: Eu decidi fazer Erasmus em Pavia, Itália, uma pequena cidade mais ou menos do tamanho da Covilhã que fica a 30 minutos de Milão. Fui muito bem recebido, as sessões de introdução foram esclarecedoras, as pessoas coordenadoras de mobilidade mostravam-se felizes por nos receber, a ESN (Erasmus Student Network) fez um trabalho muito bom na organização de eventos sociais, a administração da residência onde fiquei foi simpática- tudo correu bem. No entanto, é importante saber pelo menos o básico de italiano porque algumas pessoas, mesmo aquelas em funções de administração, falam muito pouco inglês. Felizmente, tal como o nosso "portunhol", o "portaliano" acaba por, com alguma dificuldade, funcionar.


  1. Expectativas que tinhas ao iniciar o processo? Quais se mostraram verdadeiras e qual aquela que mais se distanciou da realidade. 

Martina: No início, esperava que o Erasmus viesse a ser uma experiência importante, positiva para o meu crescimento, e  esperava conhecer muita gente nova de diferentes países, o que se concretizou. Conheci pessoas de zonas muito distintas da Europa, inclusive de países muito distantes de Itália, com culturas e hábitos diferentes. A maior diferença em relação às minhas expectativas foi o facto de eu achar que tudo seria divertido e fácil ao princípio, mas, no começo, foi um pouco difícil adaptar-me.

  Francisco: Quando iniciei o processo de Erasmus, esperava ganhar mais independência, conhecer pessoas de diferentes países e experienciar um sistema académico distinto. Todas estas expectativas se confirmaram. O que ficou mais longe da realidade foi a rapidez com que tudo passou a parecer normal, uma vez que achei que demoraria muito mais tempo a adaptar-me, mas, passadas poucas semanas, já me sentia confortável.


  1. Quais as maiores dificuldades, para além da diferença da língua falada, com que te deparaste e qual o apoio que a faculdade forneceu?

Diogo: A Universitá di Pavia (UniPv) honestamente funcionou muito bem e prestou um contínuo e excelente apoio. Diria que a maior dificuldade foi encontrar um bom equilíbrio entre vida social, acadêmica e descansar - isto é, ir a eventos, viajar, aproveitar a cidade - mas sem descurar que não podemos ir a tudo, é preciso descansar e é preciso não deixar acumular matéria em demasia. Em  Erasmus, isto mostrou-se particularmente difícil porque há mil coisas para ver e fazer. Além disso, lidas com centenas de pessoas que têm os seus próprios equilíbrios e há uma tendência a alinhar-nos com os nossos pares em vez de encontrar o nosso próprio.

Francisco:  A receção foi muito boa e acolhedora. Tanto os estudantes locais como os de Erasmus foram muito prestáveis, e a universidade tornou o processo de chegada bastante simples. No entanto, notei uma diferença cultural ao nível da interação social. Vindo de um intercâmbio recente no México, onde as pessoas tendem a ser extremamente abertas e extrovertidas (semelhante ao que vivemos em Espanha), aqui as interações pareceram um pouco mais reservadas, especialmente no ambiente médico. No entanto, todos foram sempre muito educados e respeitosos e, no geral, a experiência foi muito positiva.


  1. Quais as principais diferenças entre os sistemas de ensino entre as faculdades?

Diogo: Em Pavia, eles têm muitas aulas teóricas. Sendo uma faculdade mais antiga e clássica há muitas aulas que são o clássico de um professor a ler slides para 100 alunos, mas felizmente não há presença obrigatória para Erasmus. Podes escolher só estudar em casa. Além disso, a esmagadora maioria das avaliações finais são por exame oral, algo que me chocou um pouco mas de que gostei. É preciso estudar de uma forma completamente diferente, sendo a própria filosofia de estudo diferente.


  1. Quais as principais diferenças no sistema de saúde dos dois países?

Diogo: Depois de voltar valorizo um pouco mais o nosso sistema. Acho que há muitas diferenças mas a principal tem que ver com "registos". Primeiramente, os próprios médicos usam muito papel ainda: agendas físicas para marcar consultas, fazer requerimentos, etc. Além disso, os próprios pacientes tinham também toda a sua informação em papel - foi chocante ver todos os idosos a trazer consigo dossiês enormes para as consultas. O sistema informático tinha muitas limitações e as comparticipações tinham um funcionamento que até hoje não entendi…

Martina:  Do ponto de vista de um estudante de medicina, posso dizer que os sistemas de saúde em Itália e em Portugal são bastante semelhantes. Durante o meu Erasmus, fiz um estágio no serviço de urgência e notei que muitos aspetos são iguais. Por exemplo, também há muita burocracia em Portugal e os médicos queixam-se frequentemente disso, tal como em Itália. No geral, a organização e os desafios do sistema são muito parecidos, ainda que existam algumas pequenas diferenças.

Francisco: Uma diferença que notei prende-se com os tempos de espera para consultas médicas. Venho de Santander, uma cidade espanhola relativamente populosa, onde as listas de espera para certas consultas podem ser bastante longas e, por vezes, sofrer atrasos significativos. Na Covilhã, que é uma cidade muito mais pequena, não observei o mesmo nível de pressão sobre o sistema de saúde nem os mesmos problemas de tempo de espera. No entanto, isto também pode estar relacionado com a dimensão da cidade, e seria provavelmente necessário comparar com cidades maiores em Portugal, como Lisboa, para ver se existem desafios semelhantes.


  1. Uma pergunta que surge sempre a quem pensa fazer Erasmus é acerca da possibilidade de visitar o país e manter boas notas. O que podes dizer sobre o assunto?

Francisco: Pela minha experiência, é perfeitamente possível viajar e manter boas notas ao mesmo tempo. Notei que os professores são, muitas vezes, muito amáveis e dão apoio aos estudantes de Erasmus, embora os critérios de avaliação sejam os mesmos para todos. Durante o meu Erasmus em Portugal, consegui viajar bastante — por exemplo, visitei o México duas vezes e também viajei para o Porto e para Lisboa. Ao mesmo tempo, estudei honestamente muito menos do que costumo estudar em Espanha. Contudo, isto não significa que seja fácil para todos. Também tenho amigos de Erasmus aqui em Portugal que chumbaram a exames e que não viajaram tanto como eu. Penso que depende muito da pessoa, da forma como te adaptas e do nível de exigência académica da universidade. 


  1. Mensagem para quem pensa em fazer Erasmus no futuro.

Diogo: Fazer Erasmus enquanto aluno da FCS-UBI não é fácil. Não vale a pena dizer que é tudo bom - somos um dos cursos de Medicina que há menos tempo aderiu a este projeto - muitos dos nossos colegas de outras faculdades têm o terreno já está desbravado enquanto que um estudante da FCS tem quase sempre de criar um plano do zero, o que pode ser um processo cansativo. Mas no fim de contas é possível e terminar a aventura com boas notas e com memórias que vão durar toda uma vida. Sinto que muitas pessoas do nosso curso fogem de Erasmus porque é visto como "perder um semestre" ou "ficar para trás", mas a grande beleza do Erasmus é que ele pode ser o que tu quiseres, é uma experiência incrível personalizada por ti em que podes ter e ser o que quiseres.

Martina:  O meu conselho é: não tenhas medo e vive esta experiência. É uma excelente oportunidade para aprender, conhecer pessoas novas e crescer, mesmo que possa ser um pouco assustador no início. Mantém o espírito aberto e aproveita cada momento.

Francisco: Se tiveres a oportunidade de fazer Erasmus, recomendo. É uma experiência que te ajuda a crescer pessoal e academicamente, a conhecer pessoas novas e a ver a tua profissão sob uma perspetiva diferente. Eu próprio vou repetir a experiência! Vou estudar para o México durante o meu sexto ano.

                                                                                                                                                Sara Castro

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