Num espaço culturalmente rico, como é a Covilhã, um universo académico marcado por exames frequentes, estágios no hospital, noites mal dormidas e tudo aquilo que abrange a vida de um estudante de medicina, há quem encontre na música uma segunda casa. À porta de mais um festival que promete animar a cidade e reunir tunas de várias partes do país, estivemos à conversa com um membro da Tuna-MUs - Tuna Médica da Universidade da Beira Interior -, que nos falou sobre a preparação do evento, a vida dentro da tuna e a importância da arte tunante no panorama académico e cultural. Connosco temos o Magister, Dinis Antunes, que se predispôs prontamente a responder a algumas perguntas e divulgar o festival.
BA: Podes falar-nos um bocadinho sobre a tua experiência enquanto membro integrante e ativo da Tuna-MUs e sobre o teu percurso na mesma?
DA: A minha experiência na Tuna-MUS, como a de todos os membros, é verdadeiramente marcante. Desde o início, sentimos que estamos a entrar numa segunda família. A Tuna não é apenas um grupo musical, é um espaço onde criamos laços fortes, onde crescemos juntos e aprendemos a conciliar diferentes responsabilidades. Para além disso, proporciona-nos momentos únicos, repletos de alegria e animação, e muitas vezes funciona como um escape saudável à pressão do dia a dia académico ou pessoal.
BA: De que maneira consideras que ser membro ativo de uma tuna pode influenciar, tanto positiva como negativamente, o teu percurso académico enquanto estudante universitário de medicina, principalmente sendo tu, como me disseste, estudante deslocado na Covilhã?
DA: Ser membro ativo de uma tuna, principalmente num curso como Medicina é um desafio que muitos de nós partilham, mas com organização e sabendo equilibrar as coisas, conseguimos conciliar bem tudo. A tuna acaba por ter um impacto muito positivo. O ambiente é de verdadeira entreajuda, tanto a nível académico como pessoal, o que faz uma grande diferença, especialmente quando estamos tão longe da família. Por fim, cria-se uma ligação muito especial com a Covilhã. A cidade deixa de ser só o local onde estudamos e passa a ser casa. Isso deve-se muito às amizades que se criam na tuna e também ao facto de organizarmos eventos culturais que envolvem tanto os estudantes como a cidade em si. É um orgulho sentir que contribuímos para dinamizar a vida académica e cultural desta cidade.
BA: Em jeito de curiosidade, possivelmente haverá muitos membros que ingressaram com pouco ou nenhum conhecimento artístico. Como achas que a participação numa tuna contribui para o desenvolvimento cultural de uma pessoa? Há algum estilo artístico ou estético que vos caracterize?
DA: A maioria de nós entra sem grande formação musical e isso nunca foi um entrave. Aliás, é mesmo um dos grandes orgulhos da tuna: permitir esse crescimento artístico. Aprendemos uns com os outros e, com o tempo, ganhamos gosto e sensibilidade.
BA: Chegou-nos aos ouvidos que o próximo mês será atribulado para vocês. Queres falar um bocadinho sobre o que vai acontecer?
DA: É verdade! Estamos na reta final da preparação do IX HERMINIUS – Festival de Tunas da Universidade da Beira Interior, que vai acontecer nos dias 9, 10 e 11 de maio. É um momento muito especial para nós, onde recebemos tunas de todo o país e mostramos o que de melhor se faz na Cidade Neve.
BA: O que podemos esperar deste festival? Há alguma novidade este ano que distinga esta edição do festival das anteriores?
DA: A grande novidade está na Noite de Serenatas, no dia 9 de maio, que será num espaço simbólico — a Igreja de Santa Maria Maior — e promete ser especialmente emotiva. No sábado, temos a Noite de Festival no Grande Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, com um espetáculo memorável. E no domingo, terminamos com um almoço-convívio no Oriental São Martinho entre todas as tunas. Um fim de semana cheio de música, cultura e espírito académico!
BA: De que forma foi feita a seleção das tunas que vão participar e quais são? Ou seja, o que é que vos levou a convidar estas tunas e não outras?
DA: Procurámos tunas que representassem diferentes regiões do país e que garantam o melhor espetáculo possível. Assim, este ano vamos contar como tunas a concurso: TUIST - Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico, Gatunos - Tuna Académica do Politécnico do Porto, TAIPCA - Tuna
Académica do Politécnico do Cávado e do Ave e a FAN-Farra Académica de Coimbra. A abertura contará com uma atuação da C’a Tuna aos Saltos, as nossas afilhadas. O final da noite será marcado pela atuação da Tuna-MUs! Vai ser uma noite incrível.
BA: Antes de terminar a entrevista, gostava de te deixar um espaço aberto para falares um bocadinho sobre o festival, apelar à presença dos nossos leitores ou esclarecer dúvidas que consideres recorrentes.
DA: Queria deixar o convite a todos para virem viver connosco esta experiência única. O IX HERMINIUS não é só um festival de tunas — é um momento de celebração da cultura, da música e da vida académica. O nosso evento contará com mais de um after! Na sexta-feira, dia 9 de maio, será no Bar Académico e no Ora Viva Club, e no sábado, dia 10 de maio, no Bar Académico e na Companhia Club. Os bilhetes para a Noite de Festival podem ser adquiridos através das nossas redes sociais ou de bancas na FCS-UBI. Todos serão muito bem-vindos. Contamos com a vossa presença para fazer deste fim de semana um momento inigualável para a cidade da Covilhã e para os estudantes.
Bárbara Azevedo

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