Até à data de escrita deste artigo, a terapêutica gold standard com o intuito de melhorar os sintomas motores de DP é a Levodopa. (1) Esta informação é concordante com as guidelines da Academia Americana de Neurologia. (2) A Levodopa é o precursor metabólico da dopamina, conversão esta que ocorre por ação da dopamina descarboxilase. Este processo vai ativar os recetores de dopamina responsáveis por melhorar as funções motoras no sistema nervoso central e circulação periférica. Em combinação com a Levodopa, administra-se a Carbidopa, que atua como um inibidor da descarboxilase facilitando a disponibilidade da Levodopa e contribuindo para a diminuição dos efeitos adversos periféricos da mesma. (1) As guidelines europeias atuais recomendam, para além da levodopa, agonistas de dopamina e inibidores da monoamina oxidase tipo B (MAO-B) para o tratamento de DP inicial não tratada. (2)
A escolha do primeiro fármaco deve ser efetuada pelo clínico após avaliação do indivíduo tendo em conta o grau de necessidade de controlo de sintomas, comparado com o risco de desenvolvimento de complicações motoras. (2) A Levodopa está associada a maior risco de desenvolvimento de complicações motoras e a efeitos adversos tais como náusea, alucinações, depressão, baixa pressão arterial e sono irregular. (1) Adicionalmente a Levodopa, após 2 anos de terapêutica, sofre um declínio na sua eficácia. (3) Dado os efeitos secundários, a utilização desta terapêutica requer profunda consideração, sendo esta a principal razão que motiva a procura e pesquisa de novas formas de terapêutica para o controlo de sintomatologia associada à DP. (2)
Atualmente em desenvolvimento clínico, a P2B001 é uma cápsula combinada, desenvolvida para efetuar uma libertação lenta de Pramipexole e Rasagilina em simultâneo e ao longo do dia. (2) O Pramipexole é um agonista de dopamina com elevado efeito na sintomatologia e a Rasagilina é um inibidor da MAO-B. O uso isolado de Pramipexole tem a desvantagem de poder desenvolver efeitos adversos dependentes da dose. No que toca à Rasagilina tem um tempo de semi-vida curto e por isso pouca eficácia quando em monoterapia, face a uma doença em progressão.
O PASADENA é compreendido por uma primeira fase, em que durante 52 semanas, indivíduos receberam o Prasinezumab intravenoso ou placebo, e uma segunda fase em que os participantes todos receberam Prasinezumab intravenoso, uns baixa dose e outros elevada. (4) Para determinar a eficácia do Prasinezumab foram utilizadas inúmeras ferramentas e escalas, de entre elas destacamos a escala MDS-Unified Parkinson’s Disease Rating Scale (MDS-UPDRS) e a imagiologia com DaT-SPECT. Em ambas as ferramentas de comparação utilizadas, o Prasinezumab demonstrou valores de melhoria. (4)
Para que uma infusão contínua seja efetiva, é necessário que seja detentora de 3 características fundamentais: elevada solubilidade aquosa, estabilidade química excelente e seja um sal solúvel em água ou pró-fármaco que sofra uma conversão altamente eficiente. De acordo com estas características, foram testados os pró-fármacos de fosfato Folesvodopa/Foscarbidopa num estudo de fase I. (5)
Pretendeu-se com este estudo demonstrar que a infusão contínua subcutânea de pró-farmacos fosfatados de Levodopa e Carbidopa é efetiva na manutenção dos valores plasmáticos de levodopa, através de um método minimamente invasivo e especialmente conveniente, para pacientes que não estão controlados com a medicação oral. (5) Os resultados demonstraram que a infusão é bem tolerada, sem a presença de efeitos adversos major, sendo possível o atingimento de concentrações estáveis de Levodopa após 2h da infusão de Folesvodopa/Foscarbidopa. (5) Esta forma terapêutica pode constituir um benefício no tratamento de indivíduos com DP uma vez que permite o controlo sintomático durante o dia e a noite, constituindo assim uma vantagem relativamente à terapêutica oral. (5)
A DP afeta mais de 6 milhões de pessoas (5) e o seu rápido crescimento revela uma necessidade cada vez maior na aposta de novas formas de terapêutica mais convenientes e eficazes. O ponto crucial mantém-se na deteção e tratamento precoce, pelo que esperemos que a ciência esteja cada vez mais próxima de melhores e mais específicos meios de diagnóstico para esta patologia.
Texto de Daniela Nóbrega
- 1. Prasad EM, Hung S-Y. Current Therapies in Clinical Trials of Parkinson’s Disease: A 2021 Update. Pharmaceuticals. 2021 Jul 25;14(8):717.
- 2. Hauser RA, Giladi N, Poewe W, Brotchie J, Friedman H, Oren S, et al. P2B001 (Extended Release Pramipexole and Rasagiline): A New Treatment Option in Development for Parkinson’s Disease. Advances in Therapy [Internet]. 2022 May 1 [cited 2022 Jun 15];39(5):1881–94. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35267155/
- 3. LeWitt PA. New Drugs for the Treatment of Parkinson’s Disease. Pharmacotherapy. 2000 Jan;20(1 Part 2):26S32S.
- 4. Pagano G, Boess FG, Taylor KI, Ricci B, Mollenhauer B, Poewe W, et al. A Phase II Study to Evaluate the Safety and Efficacy of Prasinezumab in Early Parkinson’s Disease (PASADENA): Rationale, Design, and Baseline Data. Frontiers in Neurology [Internet]. 2021 [cited 2022 Feb 9];12:705407. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34659081/
- 5. Rosebraugh M, Voight EA, Moussa EM, Jameel F, Lou X, Zhang GGZ, et al. Foslevodopa/Foscarbidopa: A New Subcutaneous Treatment for Parkinson’s Disease. Annals of Neurology. 2021 May 4;90(1):52–61.




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