Um Olhar sobre o Estudante de Medicina - Fusão

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Um Olhar sobre o Estudante de Medicina



Quando as pessoas me perguntam o que estudo, a maioria observa-me com entusiasmo e admiração quando eu respondo que sou estudante de Medicina. Uma pequena percentagem mostra preocupação. Vou debruçar-me sobre esta pequena percentagem e provar que há um certo fundamento para me olharem assim.

De facto, ser estudante de Medicina, hoje em dia, não é para quem pode, é para quem quer (ou pelo menos quero acreditar que sim). Entre dias de estágio exasperantes e no mínimo aniquiladores (se estiveres fora da Covilhã, entenderás), o nosso estado de espírito divide-se em três: querer hibernar numa sesta de cinco horas para repor as quilocalorias gastas a andar de um lado para o outro nos corredores do Hospital, a vontade súbita de ser produtivo e mostrar aos nossos médicos tutores que até estudamos e, por fim, querer hibernar numa sesta de cinco horas para repor as quilocalorias gastas na hora e meia de estudo afincado. E o ciclo repete-se com crescente gravidade ao longo dos dias.

No fundo, estamos a despender um pouco de nós em prol do nosso futuro. Umas vezes risonho, outras vezes desafiador. Tudo depende da perspetiva, como tudo na vida.

De nós, os futuros doentes esperam receber o melhor das nossas competências científicas e sociais. De nós, eles esperam compaixão, a capacidade em reconhecer, interpretar e ser emocionalmente tocado pelas histórias da doença; disponibilidade e compromisso.

Termino dizendo que, embora aquela pequena percentagem de pessoas que nos olha com preocupação tenha um certo fundamento, aquelas que nos observam com entusiasmo e admiração é que estão certas, porque isto de ser estudante de Medicina é realmente BONITO.


Texto de Gabriela Nunes

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