A Covilhã, nossa eterna Cidade Neve, é rica em história e em cultura. A C’a Tuna Aos Saltos - Tuna Médica Feminina da Universidade da Beira Interior, orgulha-se em contribuir para esta tão importante riqueza imaterial. Eventos como o “Eterna Covilhã” são uma belíssima carta de agradecimento a esta segunda casa.
Comigo tenho a Catarina Castro, Magister, e a Beatriz Lago, Vice-Magister, que se disponibilizaram a responder a perguntas sobre o evento, que se vai realizar no próximo sábado, dia 20 de setembro, no Teatro Municipal da Covilhã.
Margarida Reis (Entrevistadora): Falem-me um pouco sobre vocês, e sobre o vosso cargo e percurso na C’a Tuna Aos Saltos.
Catarina Castro: Comecei como caloira, depois acabei por ser a responsável pela imagem. No ano a seguir tornei-me Vice-Magister e, este ano, sou a Magister (ou presidente) da agora Associação Recreativa e Cultural C’a Tuna aos Saltos. O meu papel é orientar os membros da Tuna e organizar diversas atividades, como o evento de que vamos falar hoje, e é com muito gosto que o faço.
Beatriz Lago: O meu nome é Beatriz. Sou a Vice-Magister. O meu trabalho passa um bocadinho pelo mesmo que o da Magister. Também tenho de organizar as atividades e as pessoas da Tuna, garantir que elas estão bem, física e mentalmente, e ajudar no que a Magister precisar.
M.R.: Qual é a vossa rotina antes de subirem ao palco? Têm alguma tradição?
C.C.: Costumamos reunir, aquecer a voz, encorajamo-nos umas às outras e revemos o que vamos fazer. Temos uma tradição mesmo antes de entrar. Basicamente, começamos a cantar muito baixinho, e vamos aumentando, aumentando, aumentando… É o nosso amuleto da sorte para cada atuação e faz com que ganhemos coragem.
B.L.: É dos momentos mais bonitos que temos. Surgiu de um dos nossos retiros, e agora fazemos isso antes de cada atuação. Dá uma motivação extra, especialmente nas semanas mais cansativas. Sentimo-nos alegres e confiantes. É uma tradição que passou de uma Anciã para uma Caloira que atualmente é Tuna, e que a passará no futuro.
M.R.: De que forma diriam que pertencer a esta tuna vos moldou enquanto pessoas? Quais consideram ser as principais vantagens de pertencer a uma tuna?
C.C.: A Tuna moldou-me muito. Adquirimos capacidades como organização e comunicação. Aprendemos, desenvolvemos mais a empatia e conseguimos perceber os outros e explicar a nossa opinião de forma mais fácil. Esta experiência deu-me aptidões que não teria ganho em qualquer outro lado. Há também o lado da diversão, animação e convívio, igualmente importante.
B.L.: Na minha perspetiva, sempre fui uma pessoa muito organizada, mas ansiosa com o estudo e as notas… A Tuna ajudou-me imenso a lidar com o stress. Além disso, ajudou-me na parte da comunicação, que é das mais importantes para mim. Agora, consigo falar facilmente em público e expressar os meus pontos de vista de forma mais adequada.
M.R.: A comunidade académica já foi informada de que, dia 20 de setembro, vai haver um evento especial na nossa Covilhã. Querem falar um pouco sobre este?
C.C.: Claro! Tudo começou porque, no ano passado, conseguimos passar de Núcleo a Associação e, com isso, vêm muitas responsabilidades, mas também muitas coisas boas. Queríamos ter um evento que simbolize este novo marco na nossa história e o nosso envolvimento com a comunidade da Covilhã e da Beira Interior - então vai estar centrado na nossa Cidade Neve, que nos acolhe durante tantos anos. Queremos trazer todo o tipo de artes: a dança, o teatro, a poesia e a música… e dar a conhecer a toda a gente.
M.R.: O que podemos esperar? O que distingue este espetáculo dos restantes?
B.L.: Temos algumas surpresas! Não queremos apenas mostrar a tão importante arte das Tunas, mas também outros artistas, que vêm alegrar a nossa Cidade Neve, dando-lhe renome e mostrando a sua riqueza cultural. Vale a pena vir e estar na Covilhã, uma casa tão acolhedora para nós todos.
C.C.: Também temos o gosto de ter connosco um dos nossos antigos professores, o Prof. Themudo Barata, que trouxe consigo o seu grupo, “Contar o Fado”, com guitarra portuguesa, baixo e guitarra clássica. No fundo, trazemos um pouco de casa à nossa casa.
M.R.: Qual consideram ter sido o vosso maior desafio na preparação deste evento?
C.C.: Em comparação com os eventos passados, não se trata tanto da logística geral, até porque contamos com a ajuda do teatro, mas sim de muito trabalho ao nível da parte burocrática, de licenças… Por sermos associação, é mais complicado.
B.L.: Eu também iria por aí. Sendo uma novidade, estamos muito entusiasmadas, mas o facto de nunca ter sido feito deixa-nos um pouco “sem base”. Há muito trabalho por trás.
M.R.: Como foi o processo de seleção dos diversos participantes neste festival?
C.C.: Para celebrarmos os diversos tipos de arte, decidimos focar-nos em cada uma. O que queremos da música? Trazer os nossos companheiros das tunas, porque achamos que faz sentido a sua representação no teatro. E da dança? A incrível Libellula Dance Company. Do teatro? A Saud’Arte, que vai fazer um ótimo trabalho. Também teremos as nossas Adufeiras da Casa do Povo do Paul, que serão uma fantástica adição a esta noite.
B.L.: E queremos trazer um pouco de nós, visto que é o nosso grande evento. Tendo como nome um original nosso, Eterna Covilhã, todas as gerações de solistas que cantaram este original serão chamadas a palco. Trazemos também o Tiago Bettencourt. Apesar de não ser da nossa terra, achamos que a sua forma de cantar e a sua presença em palco “mostram casa”, e é isso que queremos.
M.R.: Para terminar, gostaria de vos deixar um espacinho para deixarem um apelo à presença da comunidade académica!
C.C.: Convidamos todos a estarem presentes nesta noite tão especial para nós e para quem a vir. Vai ser uma noite repleta de dança, música, e muito mais. Espero que as pessoas se divirtam muito a ver o que a Covilhã tem para dar. Recebemos tanto dela durante o tempo em que nos acolhe, que ficar a conhecer um pouco mais a sua arte é muito importante. Espero ver muita gente no TMC, e que gostem tanto deste evento como nós!


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