Ir a um congresso é um evento canónico na vida de qualquer estudante universitário. Nos primeiros anos de curso as pessoas vestem um blazer, escolhem os workshops com muita calma e demonstram grande entusiasmo para enfrentar 3 dias que se avizinham de grande aprendizagem. Nos últimos anos de curso, já não é bem assim (palavra de finalista).
O primeiro kit que recebemos é uma alegria. Uma simples tote bag, uma caneta da AMBOSS e um livro do médico interno tornam-se as melhores coisas que recebemos em muito tempo. No entanto, ao fim de 5 ou 6 congressos, quando se começa a perceber que estes são cromos repetidos, essa luz vai se apagando.
Atualmente, vários anos da FCS-UBI possuem incentivos curriculares à participação em congressos, todavia, será que esta medida efetivamente motiva a busca pela aprendizagem extracurricular ou apenas incentiva a luta pelos certificados.
E a questão que não quer calar é: será que a culpa deste desvanecer de entusiasmo é dos congressos que se repetem e não são suficientemente apelativos ou dos alunos e profissionais que participam nos mesmos? A verdade é que esta é uma das perguntas que não tem nem nunca terá resposta. Se estivermos a falar do BeInMed, acredito que a culpa seja dos participantes, porque não há congresso que se compare com este. No entanto, é certo que, apesar de raro, alguns temas se poderão inevitavelmente repetir entre congressos. O que não aceito que me digam é que, entre os 65 workshops que o BeInMed oferece este ano, nenhum vos interessa.
Acredito que existem muitos motivos para a falta de interesse dos alunos em imergir completamente no mundo das conferências científicas. O curso de medicina é um curso exigente e os alunos são pessoas muito ocupadas, muitas vezes sem tempo para atividades extracurriculares. Não obstante, incentivar a participação em congressos deve passar também pelo apoio e auxílio da sua gestão. A maioria dos congressos não são gratuitos e, muitos deles possuem horário coincidente com as atividades letivas, pelo que, o tempo que se dedica a cada um carece de uma gestão meticulosa.
A verdade absoluta é que quando é para falar sobre esforço e dedicação, todas as pessoas são muito esforçadas e dedicadas, ainda assim, quando é para mostrar efetivamente empenho, já nem toda a gente possui a mesma motivação. Quando entrei no curso de medicina o grande auditório enchia-se completamente nas sessões de abertura e encerramento do BeInMed, situação que, infelizmente, não tem vindo a acontecer nas últimas edições, mesmo com um marcado aumento do número de inscrições. Não sei qual é o motivo para este fenómeno, contudo seria interessante perceber o que está por detrás dele. Os congressos dão muito trabalho a organizar e não comparecer no momento em que as comissões organizadoras são apresentadas é não reconhecer nem valorizar o trabalho das mesmas.
Anos passam, edições de congressos são feitas, ainda assim há um único local onde nunca faltarão pessoas interessadas em comparecer: a zona de coffee break. É verdade que sou suspeito, adoro um bom rissol e não falto a um coffee break, mas sei que vocês sabem que não é esse o problema. O problema é comparecer apenas nesse momento e ainda reclamar que o croquete está frio.
Lá no fundo os congressos são eventos que começam com promessas de aprendizagem, mas que, para muitos, terminam com uma batalha épica pelo último rissol. Espero que depois deste desabafo o XVI Beira Interior Medical Meeting tenha menos pessoas com a mentalidade “só vim pelo coffee break”, que a faculdade comece efetivamente apoiar os congressos, que a sessão de abertura esteja cheia e que os participantes no geral percebam que a essência dos congressos é e sempre será (espero eu) a partilha de conhecimento e a busca pela evolução científica.
Artigo de: Renato Martins


Sem comentários:
Enviar um comentário