O verão avizinha-se e, com ele, encontramo-nos muitas vezes imersos num tédio que ora se resolve com praia e ar livre, ora com filmes e séries. E assim surge a derradeira pergunta com que todos (ou pelo menos quase todos) nós já fomos confrontados: “Podes sugerir-me um filme, por favor?”. E é aí que começamos a intelectualizar, a procurar nos confins da nossa mente, a tentar lembrar-nos de títulos de filmes de renome… De renome… Mas quem os renomeou?
Os prémios da Academia, ou, como os conhecemos, os Óscares, foram concebidos em 1927 (quase há 100 anos) e pretendem, de uma forma original e pioneira, celebrar a arte e a cultura cinematográfica. E a verdade é que, desde que me conheço, estes prémios têm um enorme papel na escolha de filmes naquelas tardes em que não há nada que estudar, até está mau tempo, mas mesmo assim nos queremos sentir estimulados e atentos.
É óbvio que quando me perguntam se posso sugerir um filme, jamais recomendarei o “Miúdos e Graúdos”. Afinal de contas, nunca foi nomeado para um óscar…
A beleza do cinema é um campo de definições e interpretações que não me atrevo a tentar explicar. Tenho plena noção de que, enquanto mera espectadora, não dou a atenção devida ao filme como um todo, nomeadamente, figurinos, realização, efeitos visuais, edição de som, qualidade artística de produção, entre outros. No máximo, sei o nome dos atores e do realizador, mas nada mais. Não estou, de todo, treinada e apta para julgar um filme, daí dar extrema importância aos nomeados pelas pessoas capacitadas para o fazer. Para mim, são um indicador de referência de qualidade, porque sei que, à partida, os filmes terão, efetivamente, mais qualidade.
Um bom argumentista terá de criar uma narrativa suscetível de ser interpretada por um conjunto vasto de pessoas (elenco e realizador), logo, a partir do momento em que o filme é um sucesso, é imperativo premiar o indivíduo. Por outro lado, se um realizador consegue transformar uma história que, à partida, seria banal, sem corpo e alma, numa verdadeira obra prima, é necessário o reconhecimento. E como é óbvio, um bom ator ou uma boa atriz, que dê o seu cunho pessoal a uma certa personagem e a interprete de forma exímia, deve também ser premiada. No fundo, no mundo do cinema tudo está conectado: os figurinos que conseguem, tão subitamente, mudar a perceção acerca de uma personagem, os efeitos especiais que permitem criar um cenário idílico, a música e som associados a cada cena. É um espetáculo bem orquestrado que resulta de um trabalho de equipa bem conseguido.
Até que ponto estas escolhas influenciam o crescimento pessoal e profissional de cada um? Na minha opinião, da mesma forma que uma tartaruga aprende a caminhar sozinha. Ao sermos expostos a uma diversidade cultural cinematográfica, podemos criar o nosso próprio estilo, fazer escolhas mais arriscadas, experimentar coisas novas. Mas não esquecer que partimos, inicial e inevitavelmente, dos gostos dos outros que, por sua vez, também partiram dos gostos de outros. É uma cadeia de boca-a-boca, mensagem-a-mensagem que, ao longo do tempo, e consoante as novas modas, se muda e transforma numa coisa diferente. Essa é a grande importância de academias como os Óscares, que não só estão em permanente atualização, mas também informam o espetador dos novos projetos do cinema de Hollywood ou cinema de nicho.
Por isso, este verão, quando se sentirem aborrecidos, consultem a página dos Óscares (https://www.oscars.org/oscars), naveguem pelo mundo dos filmes por descobrir e, quem sabe, vejam. Ou não. Podem sempre escolher ver “Miúdos e Graúdos” pela quinta vez.
Autora: Catarina Silva

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