Hora do Fusão: Assembleia Geral da Luta - Fusão

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Hora do Fusão: Assembleia Geral da Luta

 



Em democracia, a voz de cada cidadão deve ser ouvida e respeitada. Advogar pelos nossos direitos é uma arma e o MedUBI fomentou esse mesmo espírito reivindicativo na última Assembleia Geral Extraordinária (AGE), pelas 19h30 de 4 de junho de 2024. Tendo lugar no Anfiteatro Amarelo da FCS-UBI, aqui foram apresentadas, discutidas e votadas um conjunto de Tomadas de Posição sobre diversas desigualdades e preocupações sentidas por todos nós. Aberta a toda a comunidade estudantil de medicina da UBI, a Assembleia Geral é o órgão deliberativo máximo do MedUBI e é o espaço onde devemos fazer com que a nossa voz seja escutada e conduza a ação do núcleo que nos representa.

Então, porque será que o anfiteatro não estava cheio, sabendo que se tratava de algo que, certamente, é de interesse público? Sim, as cerca de 40 pessoas presentes fizeram-se sentir, fosse com o levantar da mão para votar, fosse com intervenções e participações na discussão. Ainda assim, fica o sentimento de que devia estar mais gente envolvida no avanço de medidas urgentes para melhorar a nossa experiência universitária. Quiçá o nome “Assembleia Geral” seja o problema. Talvez mudá-lo para “Partir a Loiça Toda Extraordinariamente” resolvesse a adesão. Quer isto dizer que falamos da aprovação de documentos que lutam pela qualidade da alimentação na FCS, por trazer a PNA para a Covilhã e até pela gratuitidade dos transportes de estágio. 

Sem dúvida que ninguém está indiferente a estas matérias e de certeza que quase todos já desabafamos sobre elas com o nosso círculo de amigos, desejando até que “alguém fizesse alguma coisa”, ou comentando ainda que “ninguém se mexe". Evidentemente, o MedUBI tem a estrutura e meios para avançar com uma postura firme de forma a alcançar resultados, e precisa de participantes investidos nestes momentos para o fazer. Então, a que se devem as cadeiras vazias? Será que a aparente formalidade assusta/aborrece muitos estudantes de se integrarem nestes trabalhos? Poderá ser desconhecimento genuíno? Parecerá erroneamente um momento inacessível para os que têm interesse, ou não haverá sequer esse interesse para começar? Será que fazer uma “préda AG com finos e funk resolveria o dilema? Ou projetar Subway Surfers enquanto se discute a melhoria da vida dos académicos seria mais adequado para captar a sua atenção?

A verdade é que todos nos alimentamos, temos de ir ao estágio e podemos vir a enfrentar a PNA. Efetivamente, estes 3 temas deviam ser totalmente assegurados pelas instituições de ensino competentes, às quais pagamos para ter acesso e que, ainda assim, falham na execução rigorosa, justa e acessível destes serviços. Por se tratarem de assuntos que são nossos direitos, urge a necessidade dos estudantes pressionarem os órgãos de ensino para que exista um real empenho e brio no cumprimento dos seus deveres enquanto tal.

Primeiramente, abordou-se como se consegue zelar pela alimentação saudável dos alunos - somos uma escola médica que não cuida dos seus estudantes neste aspeto crucial do bem-estar físico e mental. Seja a falta de oferta de produtos não processados no bar e máquinas de venda automática, seja na fraca reposição de refeições vegetarianas na cantina, existem muitos aspetos a otimizar neste âmbito. Uma colega presente na Assembleia acrescentou ainda a esta Tomada de Posição que o refeitório da FCS devia estar aberto ao jantar, como acontece noutros polos da UBI, sugestão essa incorporada no documento por ter sido “aprovada por unanimidade”, como a Presidente da Mesa da AG proferiu. 

Relativamente aos transportes que temos de pagar para frequentar atividades letivas obrigatórias, basta dizer que ninguém gosta de gastar dinheiro. Com a aprovação desta Tomada de Posição, espera-se que a direção da FCS-UBI reconheça que é um problema gastarmos até 40 euros por mês em senhas de autocarro para se ir ao estágio, sem o qual é impossível acabar o curso. Além dos quase 700€ anuais, muitos de nós encontramo-nos deslocados das nossas terras natais para estudar cá, o que, obviamente, acarreta em si ainda mais custos extra. Portanto, não é justo existir esta despesa adicional que já deveria estar contemplada nas propinas que nos extorquem.

Outrora, a prova nacional de acesso à especialidade era realizada na Covilhã. Desde 2019 que a mesma já não se realiza cá. Não sabemos bem o porquê; aliás, não concordamos com as justificações apresentadas na altura desta alteração. O que é facto é que o recém-formado médico ubiano tem que se deslocar para uma cidade diferente, alugar um quarto desconhecido e enfrentar um isolamento desnecessário naquele que é um dos dias mais importantes da sua vida profissional. Ou seja, obstáculos sociais e monetários que alunos de Lisboa, Porto ou Coimbra não têm de ultrapassar e que criam uma discrepância de pontos de partida da performance no exame. Terá o mar outro encanto que a serra não tem? O MedUBI, ao declarar que a cidade neve tem os meios de acolher a prova, pressionando o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, a Câmara Municipal, a Reitoria, a Administração Central do Sistema de Saúde e o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas, está a mostrar que a serra tem tanto de sublime quanto o mar, e que devemos ser valorizados, terminando esta injustiça. 

O Interior, como todos nós sabemos, foi deixado ao abandono ao longo de sucessivos anos em prol do litoral. O que é certo é que cada um de nós que escolheu esta cidade para chamar de casa consegue perceber a coroação que Amália lhe deu quando cantou: “Covilhã cidade neve (...)/ És das beiras a rainha”. E, por ser a Rainha, é que continua a cativar cada vez mais e mais estudantes. Por isso, cabe-nos a nós zelar e lutar para que não se desonre o prestígio serrano que a fadista aqui plantou, a fim de que os futuros alunos herdem uma casa melhor que a que nós encontrámos.

Sendo preocupações e desejos comuns a todos, uma participação proativa e dinâmica torna-se essencial, nem que sirva só para mostrar a inquietude daqueles que almejam construir uma academia ativa e preocupada com quem cá está. Afinal de contas, cada um de nós, ainda paga as tão familiares propinas! E não existe um sítio melhor para desabafar dos problemas da faculdade e para trabalhar por uma comunidade estudantil mais forte e interessante do que as Assembleias Gerais do MedUBI: talvez não se vendam finos nem passem funk lá dentro, mas até podes conhecer aqui pessoas novas para ires aos copos depois dela acabar.


Guilherme Fernandes

Tiago Ramos


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