A doença de Parkinson (DP) é, depreensívelmente, um dos distúrbios neurodegenerativos progressivos mais comuns em todo o mundo. Concretamente, resulta de perda fisiopatológica ou degeneração de neurónios dopaminérgicos na substância nigra do mesencéfalo e do desenvolvimento de corpos de Lewy neuronais. Não sendo possível controlar tais processos patológicos ou até fatores de risco como o envelhecimento ou a influência genética que impulsionam a instalação da DP, aliado ao facto de não existir, até então, uma terapia modificadora da doença definitiva, parece tornar-se, cada vez mais importante e relevante, refletir, pesquisar e aprofundar estratégias terapêuticas capazes de proporcionar e promover uma qualidade de vida adequada para os doentes de Parkinson. E é aqui que surgem as águas termais e as suas propriedades medicinais. Mas afinal, que influência terão as águas termais na Doença de Parkinson?
A realidade é que os tremores de repouso, a rigidez, a bradicinesia e a postura curvada, caracterizam, quase inequivocamente, a doença de Parkinson. Contudo, não são apenas os sintomas motores que afetam estes doentes, que enfrentam, muitas vezes, também, distúrbios neurocomportamentais (depressão, ansiedade), comprometimento cognitivo (demência), e disfunção autonómica (por exemplo, ortostase e hiperidrose), sendo necessário intervir, igualmente e em simultâneo, nestes aspetos sociais e psicológicos.
Ora as águas termais parecem oferecer uma reabilitação importante e completa, quer num tipo de sintomas, quer nos outros.
Por um lado, o exercício de base aquática tem a vantagem intrínseca de ajudar os indivíduos a aliviar o peso corporal e reduzir o risco de lesões e quedas durante os exercícios (comparando com exercícios terrestres), potencialmente levando a uma maior eficácia do próprio tratamento. Além disso, a viscosidade da água é uma dica sensorial adicional e de extrema relevância, que facilita a eficácia da terapia no equilíbrio dinâmico. Complementarmente, as propriedades termais, combinam os benefícios do efeito físico da imersão, por si, com o efeito químico dos minerais (águas hipossalinas, sulfúreas, gasocarbónicas, sulfatadas, bicarbonatadas e cloretadas), e o efeito da alta temperatura intrínseca da água termal na gestão eficaz da dor, promovendo a vasodilatação e libertação da tensão muscular, que tanto afetam o dia-a-dia destes doentes.
Por outro lado, o ambiente térmico também é não competitivo e relaxante, levando a possíveis benefícios na qualidade de vida e no bem-estar psicológico dos indivíduos, dimensão esta tão importante quanto a física.
Segundo um estudo publicado em 2022, debruçado num programa termal aquático onde os principais objetivos eram a melhoria do equilíbrio, postura e marcha, bem como a promoção do bem estar psicológico de doentes de Parkinson, os resultados foram, realmente, positivos para esta aliança terapêutica. Uma melhoria geral no estado motor foi observada em 6 dos 14 participantes, assim como no equilíbrio em 7 dos 14 participantes. Ainda, a pontuação global do questionário de qualidade de vida para DP (avaliada pelo questionário PDQ-39) melhorou significativamente após o exercício aquático termal, sendo impulsionado principalmente pela mobilidade percebida e pela atividade das dimensões da vida diária que estão fortemente relacionadas ao estado motor dos indivíduos.
Desta forma, parece a Reabilitação Termal um dos caminhos eficazes, promissores e benéficos a seguir no crescimento e desenvolvimento de estratégias terapêuticas capazes de atuar eficazmente na gestão dos sintomas e progressão da Doença de Parkinson, bem como na promoção do bem-estar físico, cognitivo, psicológico e social destes doentes, até que a ciência seja, por fim, capaz de dar a resposta definitiva no tratamento desta tão prevalente perturbação neurodegenerativa.
Inês Silva
Referências Bibliográficas:
1. Janice M. Beitz. Parkinson’s disease: a review. 2014 Jan 1
2. Di Marco R, Pistonesi F, Cianci V, Biundo R, Weis L, Tognolo L, et al. Effect of Intensive Rehabilitation Program in Thermal Water on a Group of People with Parkinson’s Disease: A Retrospective Longitudinal Study. Healthcare (Switzerland). 2022 Feb 1;10(2).


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