As válvulas cardíacas podem sofrer alterações que interferem com a sua normal abertura, dificultando a passagem de sangue – estenose valvular – ou que impeçam o seu encerramento por completo e haja regurgitação – insuficiência valvular. Estes problemas são causados essencialmente por defeitos congénitos, febre reumática, infeções e causas degenerativas dos tecidos relacionadas com o envelhecimento. As válvulas mais frequentemente atingidas são a aórtica e a mitral. A válvula tricúspide é a menos vezes implicada.
Para solucionar estas situações, recorre-se a procedimentos cirúrgicos, através da substituição ou reparação da válvula danificada. Quando é necessária a substituição, esta é feita utilizando uma prótese que pode ser mecânica ou biológica. As indicações para a escolha do tipo de prótese dependem das características do paciente, sendo que as próteses mecânicas são implantadas geralmente em doentes novos em que a esperança de vida é elevada, implicando a realização de uma terapêutica anticoagulante durante toda a vida; as próteses biológicas têm a grande vantagem de não requererem anticoagulantes, porém, têm uma duração limitada – 10 a 15 anos;
Existe também o procedimento de Ross, que consiste em mover a válvula saudável para a posição da válvula danificada e substituir a válvula “emprestada” por uma nova, o procedimento TAVI (transcatheter aortic valve implantation), entre outros mais recentes. No TAVI uma nova válvula é colocada no lugar da válvula afetada através de um pequeno cateter de uma maneira muito menos invasiva que a cirurgia convencional (que implica a abertura total do tórax e exposição do coração) no tratamento da estenose aórtica. Habitualmente, a válvula é introduzida através de um pequeno orifício (1cm) na virilha do paciente, existindo outras alternativas como a artéria subclávia, um espaço entre as costelas (transaórtico), ou o ápice do coração (transapical).
No que toca a riscos e complicações, como em qualquer procedimento cirúrgico, também podem ocorrer. Os mais frequentes são a hemorragia e a infeção, que não ultrapassam, na maioria dos casos, os 5%. Outras complicações como arritmias, AVC e mortalidade são baixas, inferiores a 2-3%, e muito dependentes do estado pré-operatório do paciente.
Referências:
- Cirurgia valvular. (2017). Paulo Neves.
https://cirurgiacardiaca.org/cirurgia-valvular/
- Options for Heart Valve Replacement. (2016). American Heart Association.
https://www.heart.org/en/health-topics/heart-valve-problems-and-disease/understanding-your-heart-valve-treatment-options/options-for-heart-valve-replacement
- Tratamento Transcateter (TAVI). (2019). Gaia, Dr. Diego.
https://www.drdiegogaia.com.br/tratamento-transcateter
Por Sara Bernardo


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