Os congressos são atividades organizadas de modo a proporcionar uma experiência em que seja possível aprender de forma cativante, abordando diferentes dimensões da mesma área, com recurso aos mais variados profissionais e especialistas. No final, saímos com a mente cheia de novos conceitos e ideias, e, mais importante que tudo o resto: um certificado.
Este é mais um dos reflexos do comodismo - uma das pragas mais antigas e persistentes da sociedade desde que a conhecemos. A lei natural de não mexer um dedo a não ser que uma força maior se imponha.
Há algo de muito humano em ter preguiça; não é, ao contrário do que dizem as gerações mais antigas, uma coisa “de agora”. A preguiça aparece sempre que nada perturbe a sua existência. Há de ter mais que ver com isso do que com outra coisa qualquer. Numa sociedade em que cada vez mais a pressão, tanto académica como profissional, se faz ouvir, em que é esperado que tenhamos provas das nossas capacidades, pode ser necessário fazer mais do que simplesmente “aprender pela experiência”. Desta forma, muitos alunos acabam por escolher congressos não pelo seu conteúdo, mas pelo que isso poderá trazer ao nível de carreira.
E, no entanto, é injusto generalizar. Nem todos os estudantes de medicina que se inscrevem num congresso o fazem apenas pelo certificado. Existe, realmente, quem saia daquele workshop com o entusiasmo de quem acabou de aprender a suturar, a entubar, ou mesmo a fazer um facelift.
A questão essencial acaba por se colocar assim: de todos os inscritos, quantos têm um interesse tão real e sincero que fariam exatamente o mesmo, ainda que não houvesse certificação, e quantos fazem o favor para acumular pontos para o intercâmbio
Mas será menos válido o certificado da segunda pessoa? Será um prémio corrupto, adquirido com intenções impuras? A verdade é que se cumpriram na mesma todos os requisitos; o que muda é apenas o que lhe vai na alma.
Aprender por escolha ou por obrigação são duas realidades muito distintas, mesmo que se aprenda a mesma teoria. Aprender por escolha leva a maior interesse, iniciativa e participação… por outro lado, aprender por obrigação leva muitas vezes a que seja possível expandirmos os nossos horizontes e descobrir diversos temas sobre os quais poderíamos nem sequer ter pensado.
No final de contas, uma atividade como um congresso não é um tribunal da verdade; é uma oportunidade de experiência e aprendizagem, da qual cada um faz o que bem entende.
Apesar de tudo, o valor dos congressos é inegável. Temos cada vez mais oportunidades excelentes e, com a oferta disponível, é quase impossível não haver pelo menos uma atividade de que realmente gostem.
Por isso, em tom de conclusão, mesmo que digam “só vim pelo certificado” no início de um congresso, desde que terminem com um “só vim pelo certificado, mas valeu a pena”, acreditamos que ninguém vos pode censurar por isso.
Carolina Troia e Margarida Reis


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