Outubro é mais do que um mês no calendário; é um movimento global de solidariedade, consciencialização e esperança. Conhecida como "Outubro Rosa", esta iniciativa nasceu nos Estados Unidos na década de 90 com o objetivo claro de inspirar a mudança e mobilizar a sociedade na luta contra o cancro da mama. A cor rosa tornou-se um símbolo universal para homenagear as mulheres que enfrentam esta doença, sensibilizar para a prevenção e o diagnóstico precoce e apoiar a investigação.
Em Portugal, a Liga Portuguesa Contra o Cancro assume a liderança desta causa através de ações de consciencialização, realçando a importância do rastreio e disponibilizando informação e apoio às mulheres e suas famílias.
O cancro da mama é um problema pertinente de saúde pública, sendo o mais frequente em Portugal e em todo o mundo. Estima-se que em 2022, em território nacional, cerca de 9.000 mulheres tenham sido diagnosticadas com cancro da mama e mais de 2.000 tenham morrido com esta doença. Apesar de ser raro, cerca de um em cada cem cancros da mama desenvolvem-se no homem. O maior fator de risco é a idade, pois cerca de 80% de todos os casos ocorrem em mulheres com mais de 50 anos. Outros fatores incluem historial prévio de doença na outra mama, alterações genéticas hereditárias, excesso de peso, tabagismo ou consumo de álcool em excesso, primeira menstruação em idade precoce ou menopausa tardia. Contudo, se for diagnosticado e tratado precocemente, o cancro da mama tem uma taxa de cura superior a 90%, sendo a prevenção e o diagnóstico precoce fundamentais para aumentar a sobrevivência e manter a qualidade de vida.
Para sensibilizar a população, a Liga Portuguesa Contra o Cancro desafia a comunidade a juntar-se ao movimento durante o mês de outubro. Foi neste espírito de união que a 15.ª edição da caminhada solidária “Pequenos Passos, Grandes Gestos” trouxe à rua centenas de pessoas no passado dia 11 de outubro. A cidade da Covilhã foi uma das sete cidades da zona centro a aderir à causa. Os covilhanenses vestiram-se de rosa no percurso desde o Jardim Público até ao Jardim das Artes. Estas caminhadas realizam-se anualmente, desde 2010, e permitem angariar fundos para a missão da Liga, nomeadamente para a aquisição de equipamentos essenciais para o diagnóstico da doença.
Para além da sensibilização e do diagnóstico, é crucial apoiar as mulheres após o tratamento. Melhorar a aptidão física e funcional das sobreviventes de cancro da mama é o objetivo do projeto Mama Move da Universidade da Beira Interior, através de um programa de exercício físico supervisionado. Este programa permite colmatar os efeitos secundários associados ao tratamento, tais como a fadiga, a diminuição da força muscular, a amplitude de movimento e a capacidade aeróbia. Para além do condicionamento físico, a doença e os tratamentos acarretam amiúde efeitos cognitivos e emocionais com implicação direta na qualidade de vida. Assim, o projeto combina também sessões de estimulação cognitiva que pretendem trabalhar, entre outros, os problemas de concentração e capacidade de raciocínio relatados por cerca de um quarto dos sobreviventes de cancro da mama.
O Outubro Rosa é uma causa que une a sociedade numa missão comum. Desde a participação em caminhadas solidárias, como a que animou a Covilhã, até ao apoio a projetos de reabilitação como o Mama Move, cada gesto conta. É um movimento que mostra como pequenos passos podem, de facto, traduzir-se em grandes gestos de solidariedade e esperança.
Alexandra Lourenço


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